Me encontro em estado de perplexidade. Ontem na Câmara dos Deputados, o deputado Sérgio Zveiter discutiu com minha filha, a deputada federal Clarissa Garotinho. Ele insistia na tese que eu organizei um ato contra seu irmão em Niterói que quase terminou em linchamento, e aos gritos, em tom de ameaça afirmou a Clarissa: “Seu pai é inimigo. Vai ver como é bom ter a família Zveiter como inimiga”. Sinceramente não sei a quem pedir proteção já que o novo presidente do Tribunal de Justiça do Rio diz que vai me processar e o irmão dele diz que sou inimigo da família. O deputado Sérgio Zveiter participou da base política de sustentação do governo Sérgio Cabral, denunciado por mim, como todos sabem, há muitos anos. Ele quando faz tal afirmação não fala só por ele, mas por um grupo cujo chefe está na cadeia.

A Lei Orgânica da Magistratura impede que juiz tenha atividade político-partidária. O desembargador Zveiter quase perdeu o cargo uma vez por ter colocado no site do tribunal um vídeo de apoio à candidatura de seu irmão, escapou por um voto. Foi durante o governo Cabral que ocorreu a aprovação da Lei dos Fatos Funcionais. Em meio ao recesso parlamentar de 2009, a ALERJ aprovou a lei e logo em seguida Sérgio Cabral sancionou. A lei permite que um magistrado do Rio ganhe acima do teto constitucional de R$ 33.763. Um recente levantamento mostrou que 98,5% dos magistrados do TJ-RJ recebem acima do teto. Conhecida como lei Zveiter, os juízes passam a ter direito a receber auxílio-saúde, auxílio-moradia, auxílio-educação, auxílio-alimentação, adicionais por acúmulo de função e por dar aulas, além de outras vantagens. Os valores dos benefícios variam de R$ 850 a R$ 5 mil. Não há nada que traga mais felicidade a qualquer ser humano, não apenas juízes e desembargadores, do que dinheiro no contracheque. No mês de maio um desembargador que prefiro preservar o nome para não criar mais polêmica recebeu R$ 150 mil, tudo dentro da legalidade pela Lei dos Fatos Funcionais. Há dentro do Tribunal de Justiça do Rio em relação ao desembargador Zveiter dois sentimentos, um é de gratidão e o outro é de temor reverencial pelo seu poder.

Reafirmo que embora tenha muitos motivos para ser contra o desembargador Luiz Zveiter pelas perseguições que faz à minha família há muito tempo, direta ou indiretamente, no caso da manifestação de Niterói não tenho nada com isso, e mais uma vez para provar que não insuflei a multidão que parou em frente ao prédio dele em reproduzo matéria independente feita pelo SBT. Havia uma manifestação contra a corrupção, como em dezenas de cidades pelo país afora, na hora Zveiter voltava de uma caminhada pelo calçadão de Icaraí e foi reconhecido pelos manifestantes, nada mais do que isso. Vejam vocês e tirem suas conclusões.

Só deixo uma pergunta no ar: quem vai me defender das ameaças da família Zveiter?