Rafael Diniz e Pezão
Rafael Diniz e Pezão



O ano de 2016 será o marco da derrocada final da manipulação da informação na república do chuvisco

A prefeita de Campos dos Goytacazes Rosinha Garotinho (PR) desmoralizou a mídia de plantão em sua cidade. Enquanto jornais, sites apócrifos, blogueiros e emissoras de rádio vociferavam a cantilena de que a prefeitura faliu, o governo está saldando todos os débitos com fornecedores, pagou 13º dos servidores, antecipou o salário de dezembro, assim como fez com os programas sociais, como Cheque Cidadão.

Não há nada de extraordinário em governo que paga salário em dia e honra suas dívidas, obviamente, mas o feito se dá no momento em que a maior parte das prefeituras e o governo do Estado fecham o ano sem pagar salários.

Os pagamentos em Campos promoveram um fluxo de renda extraordinário no comércio durante as vendas de natal, a melhor data promocional para o setor. Isso no momento de refluxo econômico e desemprego. Enquanto isso, a mídia nativa focou a pauta no prenuncio do caos e quebrou as mandíbulas, quando esperava quebrar a banca.

A desmoralização editorial é visível, porque os noticiários demonstram uma completa falta de conhecimento sobre finanças administravas e ordenação de despesas na administração pública. Uma prova inequívoca de que se perdeu o contato com o jornalismo moderno, focado na geração de conteúdo consistente e confiável.

Não mais se apura notícias. Apenas se ouve o galo cantar e repercute. Chega a ser constrangedor. O jornalismo de qualidade deu lugar a uma imprensa que funciona como aparelho difusor e colaborador de ações policialescas. Numa cidade em que a imprensa exerceu uma importância vital na campanha abolicionista (quem diria!), a mídia contemporânea optou por funcionar como braço auxiliar da polícia, tarefa que antes do advento da tecnologia moderna já pertenceu ao X-9.

As razões desta falência editorial são múltiplas: estão aviltando salários, demitindo profissionais em troca de mão de obra barata e gratuita (travestida de blogueiros colaboradores) e apostando na incerteza de verbas publicitárias de governos.

É um modelo comercial esgotado, porque diante da crise econômica os próximos governos estarão descapitalizados para esse tipo de investimento. Publicidade oficial será artigo de luxo. As mídias sociais, plataforma bem mais barata e abrangente, já assumiram o protagonismo. A mídia local ainda não descobriu o que Nelson Rodrigues chamava de “óbvio ululante”.

Rosinha fecha o governo deixando uma mensagem subliminar para o sucessor: o próximo governo terá a obrigação de não atrasar salários, manter programas sociais e manter dívidas com credores em dia.

Por outro lado, o prefeito eleito Rafael Diniz, a partir de primeiro de janeiro, conviverá com uma mídia inquieta e apetitosa, acostumava a cobrar faturas por meio de programas de rádio. Como diria o ex-governador Leonel Brizola, “quem vence herda os problemas”.

Vai aqui uma outra frase para o prefeito eleito de Campos ler na cama: “vida de prefeito é boa do dia da vitória até o dia da posse”. Esta vem do sábio ex-prefeito de Macaé-RJ Sílvio Lopes (PSDB).



Essa análise do jornalista Roberto Barbosa reflete o que as cabeças mais lúcidas de Campos já perceberam. O prefeito eleito não tem equipe, não tem projeto para a cidade, e ainda não percebeu que a eleição já acabou. O prefeito provisório Rafael Diniz, uma jovem cópia de Pezão, sabe que tem validade no máximo até maio. Essa é a única explicação para o secretariado de baixíssimo nível escolhido por ele. Um secretário de Fazenda que tem militância ativa com Ricardo Teixeira não pode ser boa coisa. Uma secretária de Saúde que inviabilizou a saúde de S. João da Barra, que até hoje faz “ambulância-terapia” mandando os pacientes para Campos não deve criar na população expectativa em relação a essa área. Um procurador-geral que foi estagiário do escritório da família Zveiter dispensa comentários. Além disso, uma fila interminável de inexperientes criou a República do Colégio Auxiliadora, nata da burguesia campista, a maioria deles se for deixada num bairro da periferia nem sabe chegar ao Centro da cidade. É com tristeza que vejo os próximos meses em Campos. A minha esperança está na certeza que este “mingau” administrativo só vai durar no máximo cinco meses, isso se ele resistir até a eleição suplementar.