Diferente do que diz o ministro da Justiça, Alexandre Moraes a rebelião em Manaus é sim uma briga de facções. Fatos semelhantes em proporção menor ocorreram nos presídios de Porto Velho, Rio Branco e Boa Vista, e é uma disputa entre o PCC e o Comando Vermelho. A facção criminosa paulista tem hoje cerca de 33 mil integrantes fora do Estado de São Paulo e o Comando Vermelho cerca de 20 mil fora do Rio de Janeiro. A guerra ficou declarada quando o PCC tomou o comando do tráfico de drogas da Rocinha na cidade do Rio de Janeiro. As cenas do massacre de Manaus deixam claro que a luta por controle de pontos de drogas e armamento, se não for interrompida rapidamente, vai gerar um caos dentro e fora dos presídios. Integrantes da FDN (Família do Norte), ligada ao Comando Vermelho, cortaram cabeças de outros criminosos gritando: "Esse aqui é do PCC! Esse é aqui do PCC!"

Não adianta tentar esconder a verdade da população. É guerra de facções criminosa, briga feia. Tudo começou quando um dos líderes do Comando Vermelho, que tinha base em Pedro Juan Caballero, cidade que fica na fronteira do Brasil com o Paraguai, e que era um dos substitutos de Fernandinho Beira-Mar, preso por mim em 2001, foi assassinado. Ele era o distribuidor atacadista de drogas para os pontos dominados pelo CV. A autoria do crime foi atribuída ao PCC e a guerra foi então deflagrada.

Não estamos falando de pouca gente, nem de poucas armas. Estamos tratando de exércitos criminosos que somados dentro e fora das cadeias têm mais de 100 mil criminosos espalhados pelo país. Estamos falando de organizações que têm infiltração nos meios políticos, jurídicos, policiais e um enorme poder financeiro. A crise é séria e se o Ministro da Justiça não convocar uma reunião imediata com os secretários estaduais de Segurança milhares de pessoas poderão morrer no país, não só os bandidos como pessoas inocentes, pois a tendência desta briga é descambar para a rua e atingir cidadão de bem que nada têm a ver com o conflito dos bandos criminosos.

A violência tende a aumentar na busca desses grupos por dinheiro, isso significa mais roubos de carro, assaltos a agências bancárias e qualquer outra possibilidade que gere dinheiro para a compra de armas.