Ministra Cármen Lúcia
Ministra Cármen Lúcia



O MP Estadual resolveu ainda que tardiamente acabar com as farras das organizações sociais. O primeiro caso foi o da Biotech. Hoje no programa Encontro Marcado, às 11 horas, no meu Facebook, daremos mais detalhes, mas o caso não é isolado e faz parte de uma rede de corrupção que tomou conta da saúde na área estadual e das prefeituras controladas pelo PMDB. O que mais chama a atenção na investigação do caso Biotech, onde os irmãos Pelegrini são acusados de desvios de R$ 48 milhões usados na compra de fazendas, carros de luxo, joias, é que não apareceu nenhuma menção ao secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, nem tão pouco ao prefeito Eduardo Paes. O MP Estadual deve achar que isso tudo foi feito sem o conhecimento dos gestores na escolha de uma organização social que não passou por processo licitatório e que geria duas grandes unidades de saúde, os hospitais Pedro II, em Santa Cruz, e Ronaldo Gazola, em Acari.

A maracutaia se estende por outras unidades da prefeitura também entregues a organizações sociais e a origem de tudo é o governo estadual sob a batuta de Sérgio Côrtes e seu incentivador e amigo Sérgio Cabral. Quanto a estes nada foi apurado nesta área. Tenho dito desde a prisão de Cabral que o setor de obras representou uma parte bem menor do que as pessoas acham no esquema de corrupção do PMDB no Rio. Outros setores renderam propinas maiores ou iguais daquelas dadas pelas empreiteiras. O setor de serviços, especialmente na contratação de mão-de-obra, a terceirização da gestão dos hospitais e UPAs, via contratação de organizações sociais, como mostrado no caso Biotech, que é miniatura perto do IABAS, conforme mostramos ontem aqui no blog, precatórios, incentivos fiscais, aluguel de viaturas, o caso mais grave é dos carros da polícia, e outras dezenas de modalidades de propina.

O Estado do Rio, sob o comando do PMDB, virou um balcão de negócios. Quem está pagando essa conta é a população e funcionalismo estadual.

Ontem a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, proibiu mais um bloqueio no valor de R$ 181 milhões, que o Governo do Estado teria que pagar de empréstimos que foram contraídos junto a bancos e ao próprio governo federal. Já é a segunda decisão esta semana e a soma das duas ultrapassa R$ 500 milhões. A presidente do STF com razão e bom senso afirmou em sua decisão que se o Estado tivesse que honrar os seus compromissos com o pagamento das dívidas que contraiu não teria dinheiro sequer para pagar a primeira parcela do salário de novembro aos funcionários. Tudo bem. Mas os irresponsáveis que levaram o Estado a esta situação de calamidade não serão punidos? Os funcionários, que são vítimas, já foram punidos pois ne sequer mais têm calendário de pagamento. Mas onde estão os gestores que contraíram tais operações? Onde estão os deputados que deveriam fiscalizar essas operações absurdas do Estado?

Durante anos, especialmente quando estava na Câmara Federal, alertava para a falência do Estado. Muitos dos que riram de mim agora choram, sem salário, sem esperança e sem futuro.

Ficam apenas três perguntas no ar: Esse dinheiro todo que o Estado está deixando de pagar aos bancos e ao governo federal será pago quando? Por quem? A que taxa de juros? Afinal de contas não existe caridade com banqueiro.