Pezão discursa com Jorge Picciani ao fundo
Pezão discursa com Jorge Picciani ao fundo



O grande problema para a aprovação do pacote de medidas imposto pelo governo federal ao governo do Rio de Janeiro não está só no conteúdo das iniciativas, que a meu ver são insuficientes, inconstitucionais e algumas profundamente injustas. Mas não quero tratar desse assunto agora, enquanto as medidas não estão oficialmente acordadas entre os governos federal e estadual. Existe na minha visão uma preliminar a ser vencida. Qual a autoridade do governador Pezão e do presidente da ALERJ, para pedirem ao povo do Rio de Janeiro e ao funcionalismo estadual um “sacrifício para colocar a casa em ordem”, como disse o deputado Picciani.

A situação da família Picciani é inversamente proporcional à situação do Estado. Ao longo dos últimos anos enquanto o Estado empobrecia a cada ano, multiplicavam-se as vacas, as fazenda, os imóveis de luxo dos Picciani’s. Ora pedir sacrifício aos servidores que estão sem salário? Pedir sacrifício da população que está sem segurança, sem escolas, sem atendimento médico, vendo as universidades sendo sucateadas? É no mínimo uma tarefa de difícil convencimento.

O que o Rio assistiu na última década foi o enriquecimento patrimonial dos políticos ligados ao PMDB em contrapartida ao empobrecimento do nosso estado. Na esteira da corrupção liderada por Cabral foram os Picciani’s, o grupo de Pezão, o grupo de Paulo Melo, a família Côrtes, o grupo de Eduardo Paes e toda uma gangue que hoje faz de conta que a riqueza que acumularam não tem nada a ver com a falência do Estado.

Fosse você o ministro da Fazenda entregaria mais recursos, como Lula e Dilma fizeram, a esse grupo na tentativa de salvar o Estado? Quem garante que o dinheiro não terá o mesmo fim das outras vezes? Os paraísos fiscais, as joias milionárias, os iates, as vacas milionárias, as casas de luxo no Brasil e no exterior, um conluio entre a classe política que vem governando o Rio e empresários que deixa qualquer cidadão indignado e envergonhado.

O problema para aprovação de medidas de austeridade está na legitimidade e autoridade moral de quem as propõe. Colocar R$ 50 bilhões nos próximos anos, como tem sido anunciado pelo governo federal, nas mãos de atuais governantes do Estado, que serão fiscalizados pelos mesmos deputados que enriqueceram porque fecharam os olhos ou se lambuzaram na corrupção é o mesmo que jogar “pérolas aos porcos”.