A estratégia verdadeira dos advogados de Sérgio começou a ser colocada em prática. Em petição no final de semana ao STJ requerendo a soltura de Cabral, a defesa alegou que o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que também é tesoureiro do partido "esquentou" R$ 2 milhões que o ex-governador recebeu em propinas da Andrade Gutierrez como doação ao PMDB nacional.

Ao último advogado que esteve com ele, Cabral deu a lista daqueles que pretende delatar caso não saia de Bangu 8 até depois do carnaval. A estratégia é puxar o caso para o STJ ou o Supremo Tribunal Federal. No caso de Eunício seria STF. O outro delatado por Cabral, Pezão, seria com o STJ.

Ele também pretende falar tudo o que sabe sobre Picciani, facilitando o trabalho do Ministério Público Federal, que está no encalço da família do presidente da ALERJ. Vai revelar ainda a contribuição que deu para as campanhas de Eduardo Paes (a prefeito do Rio), para a primeira eleição de Dilma, os recursos que injetou na campanha de Lindbergh Farias (ao Senado, em 2010), quando o PT ainda era seu aliado.

Mas a parte mais explosiva envolve Aécio Neves e Lula, que tiveram convivência íntima com Cabral nos anos dourados do seu governo. O ex-governador está convencido que sua situação é dificílima e somente revelações surpreendentes poderiam ser aceitas pelo MPF do Rio. Aliás, segundo uma fonte, Cabral se propõe a devolver entre joias, diamantes, ouro e dinheiro, a inacreditável quantia de US$ 250 milhões para ter a pena diminuída. Pelas minhas contas a sua quadrilha roubou pelo menos quatro vezes isso.

Para quem, eu sempre disse, que sua palavra valia tanto quanto uma nota de R$ 3, as palavras de Cabral nunca valeram tanto.