Quase dois anos depois, o RJ TV de ontem à noite mostrou uma reportagem que compromete seriamente Arthur Cesar de Menezes Soares Filho em um escândalo que já protocolado por mim na Procuradoria Geral da República em Brasília e no Rio. Trata-se das antigas empresas do grupo Facility, que se transformaram no grupo Prol. A Facility, conforme já mostramos no blog várias vezes, recebeu contratos que ultrapassam R$ 3 bilhões na prestação do Governo do Estado na gestão Cabral – Pezão. Ocorre que para fugir das denúncias que venho apresentando faz muito tempo, Arthur Cesar montou uma engenharia utilizada por outros lavadores de dinheiro, através das experimentadas equipes da Mossack Fonseca, situadas como sempre no Panamá.

Da noite para o dia o grupo Facility transformou-se em Prol e continuou mantendo seus contratos com o Detran, com hospitais estaduais, com fornecimento de alimentos para presídios e outras dezenas de órgãos. O que acontece é que o fundo que adquiriu a Facility e a transformou em Prol teve como diretora-administrativa, Teresa Porto, ex-secretária de Educação do governo Cabral, e como diretor-presidente, Sérgio Marcondes, nomeado por Regis Fichtner para cuidar do acompanhamento de contratos na Casa Civil de Sérgio Cabral. Ambos tornaram-se os manda-chuvas da Rise do Brasil, sediada em São Paulo, que é representante da Rise International, com sede na Suíça. Tudo isso já seria uma vergonha se os dois panamenhos usados para abrir um fundo no Panamá não fossem respectivamente os mesmos usados por Eduardo Cunha, preso em Curitiba e Jorge Zelada, ex-diretor da Petrobras também preso na Operação Lava Jato.

Como explicamos noutro dia a mecânica no Panamá é simples e vem sendo usada por centenas de brasileiros corruptos. Através da Mossack Fonseca abre-se uma offshore no Panamá. A única exigência é ser panamenho com residência fixa no país. Depois em cartório no Panamá passa-se o controle da empresa e do patrimônio para o verdadeiro dono, e dali o dinheiro pode ser movimentado para qualquer parte do mundo. Isso foi o que fizeram José Dirceu, Eduardo Paes, Eduardo Cunha, Jorge Zelada, Pedro Barusco e outros.

O caso da Prol tem um ingrediente ainda mais perverso e canalha. Arthur Cesar diz não saber quem comprou suas empresas, afirma saber apenas que foi um fundo internacional. No Estado ninguém conhece quem são os atuais representantes do fundo. Tudo com o único objetivo que vocês entenderão agora, também já exposto por este blog. Ao criar o fundo, o Rei Arthur incorporou um novo sócio: Sérgio Cabral. O ex-governador, que escondeu dinheiro também no Panamá, tornou-se assim, além de saqueador do Estado, hoje um de seus maiores credores. Quando uma das empresas do grupo Prol recebe uma fatura dos cofres públicos estaduais metade vai para Arthur, a outra metade para Cabral. Seria cômico se não fosse uma vergonha internacional. A matéria dá pistas daquilo que nós já denunciamos há muito tempo. Agora cabe às autoridades do Ministério Público Federal buscar mais uma parte do dinheiro que Cabral escondeu na Rise International, cujas empresas que constituem o fundo têm somente de capital social mais de US$ 150 milhões. Vejam a matéria.