O direito de resposta, ao contraditório e principalmente o direito a defesa, não podem numa sociedade democrática, serem colocados num plano secundário, muitas vezes, por equívoco, em outras por interesses obscuros.

Certa vez um importante jornal do nosso estado estampou em letras imensas na primeira página:"GAROTINHO DESVIA VERBA DA SAÚDE". Na verdade era um simples remanejamento orçamentário, dentro da própria secretaria, para dinamizar a produção de remédios do Instituto Vital Brasil, afim de implantar o programa de farmácias com remédio a R$ 1. O caso nem sequer gerou qualquer procedimento judicial, mas para a população eu já estava condenado.

Em outra oportunidade uma grande revista de circulação nacional trouxe na capa minha foto com chifres e a falsa afirmação que eu viajava em avião de propriedade de um traficante. A notícia era falsa. O jato tinha sido confiscado de um traficante, e por decisão da Justiça colocado numa empresa de táxi aéreo, e o dinheiro arrecadado, revertido para o combate às drogas feito pela Polícia Federal. Depois de anos na Justiça ganhei indenização contra a empresa jornalística, porém até hoje a reparação da informação colocada de forma incorreta não ocorreu.

A indenização financeira não repara o estrago feito na imagem. Tão indecente quanto a censura é usar um meio de comunicação para desinformar, ou como ocorre muitas vezes, induzir a população a julgamento errado. Todas as denúncias, contra qualquer pessoa, devem ser investigadas, porém a condenação prévia é leviana e não contribui em nada para a aplicação correta da lei e muito menos para uma sociedade democrática.

Essa é uma questão muito séria que a Justiça, o Ministério Público e a mídia têm o dever de enfrentar, com o mesmo destemor que têm agido para punir quem comete crime no país. A verdade não é valor subjetivo e em muitos casos não estamos falando de erro de informação, mas de fraude deliberada, com a finalidade muitas vezes de proteger crimes ainda maiores que o cometido contra a própria informação.

Quando comecei a denunciar o esquema criminoso que havia se instalado dentro do Governo do Estado pelo ex- governador Sérgio Cabral, na maioria das vezes, a verdade foi escondida da população. Quais interesses moviam esse posicionamento? Em alguns casos cheguei a ser vetado de falar.

Quando chamei Eduardo Cunha de "deputado lobista" fui processado por ele, e não fosse a revelação de seus atos ilícitos, talvez fosse condenado por ter falado a verdade. Portanto o equilíbrio entre a denúncia e a defesa deve ser real, não apenas uma retórica. Quem acusa deve provar o que diz ou ser responsabilizado pela acusação falsa.

Não importa se a mentira foi dita pela mídia ou por agente público, juiz ou promotor.

Assim como a lei, a verdade é para todos.