Reprodução do Extra
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Vai demorar muito para Pezão colocar em dia o que deve aos servidores estaduais, concursados e em cargos de confiança. Raciocinem comigo.

A folha mensal, incluindo aposentados e pensionistas, passou para R$ 2,2 bilhões. O salário de janeiro, de acordo com o parcelamento divulgado, caso não haja mais nenhum bloqueio nas próximas duas semanas, só terminará de ser pago no próximo dia 22.

10/03 - R$ 295
13/03 - R$ 991
15/03 - R$ 979
21/03 - R$ 3.006
22/03 - Restante

Pelo calendário - já alterado - o salário deveria ser pago até o décimo dia útil do mês seguinte. Se fosse valer o salário de fevereiro deveria ser quitado na próxima terça-feira (14). Mas como podem notar no dia 14 ainda estarão faltando três parcelas do salário de janeiro. Nesse dia a dívida com o funcionalismo pulará para R$ 4,2 bilhões, incluindo a folha de fevereiro. Isso é mais do que os R$ 3,5 bilhões que Pezão pretende pegar emprestado, dando a CEDAE como garantia.

O empréstimo só poderá ser liberado depois da aprovação do projeto da recuperação fiscal, que precisa passar pela Câmara e pelo Senado, além das medidas que precisam ser votadas na ALERJ, como aumento da contribuição previdenciária. Nada disso estará resolvido antes de abril. E os trâmites burocráticos para o dinheiro chegar aos cofres do Rio vai levar mais quase um mês, de acordo com os técnicos. Logo, na prática não chegará o socorro antes do final de abril, isso na hipótese mais otimista, caso não apareçam novos entraves.

Como podem perceber até lá a dívida com os servidores será ainda maior. E é bom lembrar que no início de abril vencem mais R$ 500 milhões em empréstimos contraídos pelo Estado, que não terá dinheiro para honrar os compromissos, o que gerará inevitavelmente novos bloqueios no próximo mês. Quando os R$ 3,5 bilhões vierem, podem apostar, que essa dívida estará perto do dobro do dinheiro que vai entrar. E estamos falando só da dívida com o funcionalismo, fora as outras.

Ressalto que embora quase ninguém fale pior ainda é a situação dos terceirizados. Como Pezão não paga as empresas, milhares de pessoas não recebem há mais de seis meses.

A conclusão é óbvia: ainda não chegamos ao fundo do poço, por mais que a situação seja desesperadora.