É difícil no momento em que a classe política brasileira passa por uma crise de credibilidade acreditar em alguém. Por isso, como venho reafirmando, é preciso tomar cuidado para não jogar todos os políticos na vala da corrupção, do patrimonialismo, do enriquecimento ilícito. É preciso separar daqueles que não transformaram o serviço público num balcão de negócios, como fez Sérgio Cabral. Há pelo menos 10 anos venho combatendo, denunciando a quadrilha que destruiu o nosso estado e outras que atuam pelo país afora.

As quadrilhas têm um traço em comum, enriqueceram enquanto o país empobreceu. Alguns políticos compraram ilhas, como Roseana Sarney, outros adquiriram fazendas, como Jader Barbalho e Romero Jucá, alguns montaram esquemas em paraísos fiscais, como Eduardo Cunha e Ricardo Teixeira, há ainda os espertos, como Palocci e José Dirceu que montaram consultorias e receberam verdadeiras fortunas, e os mais ousados, como Cabral, compraram barras de ouro, diamantes, joias, mansões, lanchas, além de negociar com doleiros pelo mundo afora.

Pergunto: Quem sabe informar onde fica a mansão que possuo? Ninguém, porque ela não existe.

Quem sabe informar as contas que tenho no exterior? Ninguém, porque elas não existem.

Quem sabe informar a lancha que comprei ou as fazendas, as joias? Ninguém, porque não usei dinheiro público em benefício próprio ou de terceiros.

Fiquei oito anos, de 2002 a 2010, sem foro privilegiado, como estou atualmente. Todos sabem que minha vida foi revirada de cabeça para baixo, especialmente pelos amigos de Cabral na Polícia Federal, entre eles José Mariano Beltrame, e o que encontraram? Nada!

Sei que todo o administrador público tem erros e acertos. Coloquei as contas do Estado em dia, criei programas sociais, consolidei a fusão do estado e fiz grandes obras em todos os 92 municípios fluminenses. Na segurança pública, apesar dos problemas, implantamos as Delegacias Legais, construímos a sede do BOPE e os últimos batalhões que foram inaugurados, na Linha Vermelha, em Copacabana e em Belford Roxo, e tornei transparentes os índices de criminalidade com a criação do Instituto de Segurança Pública.

Não vou ficar aqui, já que terei outras oportunidades, expondo tudo o que fizemos. Tenho defeitos, provavelmente tive erros, apesar de ter elegido a minha sucessora no primeiro turno, Rosinha. Mas quero afirmar que entre esses defeitos não estão corrupção, enriquecimento ilícito, uso indevido de dinheiro público em benefício próprio ou de terceiros.

Sei separar o que é público do que é pessoal e privado. Há pouco tempo um delator, segundo a imprensa, teria citado meu nome. Cobrei publicamente que ele dissesse em que contas ele teria depositado dinheiro para mim, Rosinha ou Clarissa. Não tive resposta até hoje, e nenhuma ação judicial resultou deste fato. Não sou contra delação desde que venha acompanhada de provas, como ocorreu no caso de Sérgio Cabral, que confirmaram as denúncias que venho fazendo há muitos anos.

Digo isto porque com os inimigos que tenho acumulado nestes anos defendendo o povo e combatendo essa quadrilha de malfeitores que assaltou o Rio e o Brasil, podem querer – por vingança - me meter no meio. Podem me investigar, aliás, como já fizeram inúmeras vezes. A frase é antiga, mas não fica velha: quem não deve, não teme.