Blogueiro Eduardo Guimarães deixando a superintendência da PF em São Paulo
Blogueiro Eduardo Guimarães deixando a superintendência da PF em São Paulo

O que aconteceu hoje com o blogueiro Eduardo Guimarães é mais um capítulo da triste escalada autoritária que o Brasil vem vivendo nos últimos anos. Ele foi conduzido coercitivamente, teve o seu material apreendido, inclusive suas agendas pessoais, com anotações de reportagens que publica no Blog da Cidadania foram levadas. Vivemos numa era digital e se um fato como este tivesse ocorrido com um jornalista da mídia tradicional, a ABI, ABERT, Sindicato dos Jornalistas, todos já estariam gritando. Mas como ocorreu com um blogueiro que tem posição política clara não há na mídia tradicional nenhuma solidariedade pessoal a Eduardo Guimarães, nem repúdio veemente a uma ação autoritária, até mesmo inexplicável no Estado Democrático de Direito.

Eu que tenho vivido experiências de enfrentamento com setores do Judiciário do Rio de Janeiro já vivenciei semelhantes a essa. Numa ocasião nosso blog ficou censurado de maneira absurda, proibido de citar o nome do ex-presidente da ALERJ, Paulo Melo. Agora estou proibido por um juiz de primeira instância de comentar qualquer assunto num processo em que eu sou parte.

Lamentavelmente a sociedade brasileira organizada tem permitido, em nome do combate à corrupção, atitudes inexplicáveis, como a que ocorreu hoje com o blogueiro Eduardo Guimarães. A acusação contra ele beira o ridículo. É acusado de ter antecipado uma notícia de um operação que iria ocorrer, no caso a condução coercitiva de Lula. Quantas vezes jornais, emissoras de televisão antecipam acontecimentos, afinal todos buscam o furo jornalístico. A decisão fere a liberdade de informação e o sigilo da fonte, ambas, garantias constitucionais. A operação que produziu tal vazamento, a Lava Jato tem sido marcada justamente por notícias antecipadas, ou seja, vazamentos feitos por veículos de comunicação. Por que dois pesos e duas medidas? A Globo pode vazar e o blogueiro não?