Reprodução do Globo
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O jornal O Globo publica hoje matéria mostrando que "três homens de confiança de Pezão já caíram na Lava Jato". São eles: Hudson Braga, o Braguinha, preso em Bangu 8; Affonso Monnerat, secretário de Governo, que responde por improbidade administrativa por desvio de verbas na reconstrução da região serrana; e Marcelo Santos Amorim, o Marcelinho, subsecretário de Comunicação Social, casado com a filha de criação de Pezão. Até aí nenhuma novidade.

É bom frisar que há vários anos sustento aqui no blog que Braguinha é o "homem da mala" de Pezão. A imprensa e até o Ministério Público Federal, na primeira denúncia da Operação Calicute (vide abaixo), relacionavam o ex-secretário de Obras a Cabral, mas a ligação direta de Braguinha sempre foi com Pezão, de quem foi subsecretário quando o então vice-governador de Cabral também acumulava a secretaria de Obras. Agora está ficando claro para todos que eu tinha razão.

Mas não são só esses três os homens de confiança de Pezão atingidos pelas operações do MPF e da PF. Tem mais dois que não se pode esquecer. Luiz Paulo Reis e Wagner Jordão Garcia, que também estão presos em Bangu 8, eram os "apanhadores do campo de dinheiro". Eles eram ligados a Pezão e Hudson Braga na secretaria de Obras, cabia eles irem em campo pegar os pacotes de dinheiro das propinas.

Em meio a tudo isso, Pezão decidiu manter nos cargos Marcelinho e Affonso Monnerat, conduzidos coercitivamente na Operação O Quinto do Ouro: "Tenho muita confiança neles (Marcelinho e Monnerat) e vão continuar a trabalhar".

Pezão já é acusado de ter usado R$ 900 mil de propinas em gastos pessoais, dinheiro arrecadado por Marcelinho, tratado como genro do governador, junto a empresários que fornecem alimentação aos presídios. Aliás, já falei aqui sobre isso, nunca vi um subsecretário de Comunicação Social cuidar de alimentação dos presos. Só no Rio de Janeiro de Cabral e Pezão, onde aconteceu o inimaginável, uma versão do "realismo mágico" de Gabriel García Márquez.

Mas o fato é que já começou a contagem regressiva, Pezão fará companhia a Cabral, seu mentor, em breve, afinal o MPF e a PF já chegaram aos seus esquemas, estão "comendo pelas beiradas", primeiro indo em cima dos seus homens de confiança e operadores. É uma questão de tempo, e não demorará muito, podem apostar.

Reprodução da denúncia do MPF
Reprodução da denúncia do MPF