Cledson Sampaio, secretário de Infraestrutura do governo Rafael Diniz
Cledson Sampaio, secretário de Infraestrutura do governo Rafael Diniz

A foto acima é de Cledson Sampaio e pela consulta que fiz ao CREA é um fenômeno, não sei se de capacidade técnica ou de lavagem de dinheiro. Basta consultar as ARTs registradas no órgão para ver a quantidade de projetos elaborados por sua empresa, a DRENAR ENGENHARIA LTDA, funcionando num loteamento em Campo Grande, na zona oeste do Rio, numa área residencial, onde nem número na rua consta do registro da empresa no CREA (vejam imagem abaixo).



Seu primeiro grande negócio foi a elaboração do projeto executivo para uma PPP em Rio das Ostras, que veio a ser vencida pela Odebrecht. Inclusive em sua delação, Benedicto Júnior afirma ter pago propina ao prefeito Sabino, em função da realização de uma Parceria-Público-Privada no município de Rio das Ostras, justamente a que foi elaborada, sob encomenda da Odebrecht, pelo atual secretário de Rafael Diniz.

Pelo valor que declarava cobrar por seus projetos e pela quantidade de projetos registrados para várias empresas, Cledson Sampaio ou se tornou milionário, ou era laranja e repassava dinheiro para algum esquema fraudulento.

Vejam abaixo o valor dos honorários declarados por Cledson somente no projeto executivo de rede coletora, terraplanagem e urbanização do programa Morar Feliz: R$ 670 mil.



Em Rio das Ostras, terra onde o domínio econômico das obras sempre foi da SINAL ENGENHARIA, de Cristiano, tio da esposa do atual prefeito de Campos, Rafael Diniz, Cledson fez também o projeto-executivo do esgoto do bairro Nova Esperança, a pedido da ENGETÉCNICA SERVIÇOS E CONSTRUÇÕES LTDA, empresa cujo lobista é um grande criador de gado, cujo primeiro nome é Hosanah, parceiro de Jorge Picciani em negócios com gado. Cristiano, da SINAL, o tio da esposa do atual prefeito, andou sumido após seu nome aparecer envolvido nas obras da região serrana, que geraram afastamento de dois prefeitos e a confissão pela Odebrecht, que pagou naquelas obras R$ 5 milhões em propina,

A DRENAR ENGENHARIA LTDA, de Cledson, fica situada à Rua Solanea, lote 30, quadra 10, sem número, em Campo Grande, e acreditem, nos últimos anos faturou ou “lavou” mais de R$ 10 milhões.

Como Cledson virou secretário em Campos

Com seus “serviços prestados” à Odebrecht e outras empreiteiras, inclusive a Delta em outros municípios, e sua amizade com o tio da primeira-dama, o mesmo que levou para Campos uma empresa de Home Care, de Rio das Ostras, que nem fachada tem, levou também em um contrato emergencial a mesma empresa que faz a manutenção da iluminação pública de Rio das Ostras para fazer o mesmo serviço em Campos. O atual secretário de Infraestrutura foi apresentado por Cristiano a Fernando Loureiro, cidadão que operava o caixa dois da campanha de Rafael Diniz em uma reunião da qual participaram o atual presidente da Câmara, vereador Marcão Gomes, o também vereador Fred Machado e o próprio Rafael Diniz, na época vereador. Foram eles que bancaram politicamente a nomeação de Cledson Sampaio a pedido da Odebrecht e da Sinal Engenharia, de propriedade do tio da mulher do atual prefeito.

Segundo um empresário que participou com doações de caixa dois, esperando contrapartida no atual governo, e que encontra-se revoltado com a atual gestão, Cledson recolheu junto a empresas que trabalhavam no governo Rosinha, cerca R$ 4 milhões não declarados para a campanha de Rafael Diniz.

A confirmação da história

No final de novembro de 2016, com a Odebrecht em disputa judicial com a Prefeitura de Campos para receber cerca de R$ 33 milhões, que o governo Rosinha se recusou a pagar, fui procurado na condição de secretário de Governo, pelo substituto de Leandro Azevedo na Odebrecht. Ele me disse que Benedicto Júnior e Leandro Azevedo poderiam inventar informações de doações não contabilizadas a mim e a Rosinha se não chegássemos a um acordo quanto à dívida. Afirmei na ocasião que só havia recebido doações oficiais e não temia qualquer invenção que pudesse ser criada por quem quer que seja. Ele então pegou um documento com sete páginas, que está em meu poder, que seria um suposto esboço da delação de Leandro Azevedo ao Ministério Público para tentar sustentar, com base somente em palavras, que eu teria recebido caixa dois.

Reparem que a primeira vez que essa história surgiu o valor era de R$ 9,5 milhões, depois Benedicto Júnior afirma serem R$ 12 milhões, e posteriormente Leandro diz que foram R$ 20 milhões. Não sei como isso ocorreu, mas o documento que tenho em minhas mãos mostra que a primeira história a ser contada por Leandro Azevedo indicava a soma de R$ 9,5 milhões, divididos em três campanhas (2008, 2012 e 2014).

Nessa mesma conversa, o substituto de Leandro dentro da empresa, me afirmou que era perda de tempo brigar com a Odebrecht, que inclusive o próximo secretário de Obras seria Cledson, ao que eu reagi dizendo: “Vocês estão loucos. Cledson era fiscal das obras da prefeitura, inclusive das obras de vocês”. No que ele reafirmou: “Queremos o Cledson, Vai ser ele. Já está tudo acertado com o prefeito e com o Cristiano. Quem bancou a campanha de Rafael foi o nosso grupo com o grupo do Cristiano, e Cledson foi operador junto às empresas de Campos”.

Esse encontro tem testemunhas e foi realizado num escritório de advocacia situada à Rua da Assembleia, 10, no Rio de Janeiro. Diferente da Odebrecht que acusa sem provas, todos os documentos acima, mais aqueles que estou preservando por ora, são comprovantes de que falo a verdade e faço jornalismo investigativo, e não fofoca.

Só para lembrar aos que acreditam na versão fantasiosa que eu e Rosinha teríamos recebido caixa dois da Odebrecht não faz sentido uma empresa doar recursos para alguém que atrapalha seus negócios. Fui eu o primeiro a denunciar o superfaturamento nas obras do Maracanã, na linha 4 do metrô, do PAC das Favelas, do Arco Rodoviário e outras, a grande maioria com participação majoritária da Odebrecht. Fui eu também que em 2012 apresentei ao Ministério Público Federal uma denúncia contra a quadrilha de Cabral, que saqueava o Estado, envolvendo várias denúncias com a participação da Odebrecht, inclusive a sociedade da mulher de Benedicto Júnior com a mulher do ex-secretário de Saúde de Cabral, Sérgio Côrte numa joalheria em Ipanema, usada para lavar dinheiro.