A greve

A greve geral articulada pelas centrais sindicais não pode ser tratada pelo governo como fracasso. Além dos atos expressivos em algumas capitais, a greve atraiu apoios importantes, como a Igreja Católica, a OAB e centenas de entidades que se posicionaram contra as reformas trabalhista e previdenciária. O presidente Michel Temer com os seus raríssimos 4% de aprovação esperava por uma hostilidade maior em relação a seu governo, o que só não ocorreu porque boa parte da mídia escondeu o movimento e grande parte das centrais está dominada por partidos políticos, o que fez com que muita gente, apesar de ser contra as duas reformas, preferisse ficar em casa torcendo pelas manifestações. Também é importante ressaltar que mesmo quem combate essas reformas há muito tempo, como eu, não concorda em colocar fogo em carros e ônibus, ou destruir patrimônio público e privado. Isso acaba gerando antipatia por um movimento, cujas causas são amplamente aceitas pela maioria da população.

Cabral

O depoimento de Sérgio Cabral ao juiz Sérgio Moro não se sustenta minimamente. As provas documentais, fáticas, além do notório sinal exterior de riqueza dele e de sua quadrilha derrubam o seu cinismo sem muita força. Aliás, Cabral usa a mesma tática adotada por Collor para ser absolvido no Supremo Tribunal Federal depois de cassado pelo Congresso Nacional. A defesa de Collor alegou que suas despesas e aquisições de bens luxuosos eram pagas com sobras de campanha. Ocorre que no caso de Cabral existem tantos relatos e documentos provando que a origem do dinheiro era propina, que nem mesmo o mais inocente dos juízes acreditaria no seu conto da carochinha. Aliás, após a delação de Cesar Romero, contando detalhes de como era operado o esquema de propina comandado por Sérgio Côrtes na Secretaria Estadual de Saúde, espera-se para a próxima semana grandes emoções na Cidade Maravilhosa.

Palocci

Muito estranha a delação de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, considerado o mais fiel petista na diretoria da estatal, ter sido recusada. Ele se ofereceu formalmente para contar tudo o que sabe sobre o que se passou nos porões da maior estatal do Brasil. Só tem uma explicação para isso, ou o juízo já sabe o que Palocci vai contar e acha desnecessário ouvir Duque, ou então há alguma coisa esquisita no ar. Palocci, segundo se sabe, enviou um esboço da delação que pretende fazer enumerando casos que participou diretamente como ministro da Fazenda ou como arrecadador de campanha. O advogado que defendia Palocci, José Roberto Batochio, resolveu deixar o caso por considerar incompatível continuar participando do grupo de defende Lula, depois do que o ex-ministro vai falar. A amigos, Batochio, que já foi deputado federal pelo PDT-SP, usou uma expressão do tamanho da confusão que a delação de Palocci pode provocar: “Ele resolveu jogar m.... no ventilador”. Bem, isso é tão amplo, que cabe tudo dentro, ou todos.

Maldade do Moreira

Será que o governo federal quer mesmo aprovar alguma ajuda para o Rio? Algumas línguas ferinas dizem que Moreira Franco está adorando ver o circo pegar fogo. Ele, um dos conselheiros do presidente Temer, sempre detestou os atuais dirigentes do Palácio Guanabara, que nunca lhe deram a menor importância na seção estadual do PMDB. Pode ser que o sofrimento dos funcionários públicos estaduais seja mais longo do que imaginavam, pois agora estamos vendo que, além da incompetência e da corrupção, o governo do Rio está sem prestígio com o presidente Temer.

Pesquisa para inglês ver

Se a história é verdadeira ou não ninguém sabe, mas o ex-governador do antigo Estado do Rio, Roberto Silveira (pai do ex-prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira), contava um fato engraçadíssimo. Ao ver que o resultado de uma pesquisa feita em sua cidade natal lhe era desfavorável mandou chamar o dono do instituto de pesquisa. Naquela época era muito comum pesquisadores contratados em Niterói, capital do então Estado do Rio, serem enviados até as cidades do interior para realizar as enquetes. Depois de analisar o roteiro usado pelos entrevistadores, o ex-governador descobriu que os estudantes-pesquisadores haviam realizado a pesquisa no munícipio vizinho, que tinha rixa antiga contra a sua cidade, e logicamente sobrou para ele.

Só um fato como esse para explicar o resultado da pesquisa que a Folha da Manhã divulga hoje sobre a avaliação do governo Rafael Diniz. São 82% de aprovação. Eu até tentei descobrir, através do Google, se existe mesmo o tal instituto que fez a pesquisa. Foi uma luta incansável e no final não achei. Pode ser que a pesquisa por engano tenha sido feita em São João da Barra, município vizinho de Campos. Lá os moradores têm motivos de sobra para elogiar o prefeito de Campos. Os melhores cargos, salários e posições na Prefeitura de Campos são indicações da prefeita de São João da Barra, Carla Machado. Os campistas não estão satisfeitos com Rafael Diniz, pode ser que os pesquisadores tenham errado a cidade, como no caso de Roberto Silveira.