Pezão nas obras de reforma do Maracanã
Pezão nas obras de reforma do Maracanã

Conforme disse hoje no meu bate-papo pelo Facebook, a obra do Maracanã teve um gigantesco superfaturamento, que gerou propina a Sérgio Cabral e outros políticos. A Odebrecht, que assumiu a liderança do consórcio, quando estourou o escândalo da Delta, ficou responsável também pela gestão do estádio. Deu no que já se esperava. O estádio foi abandonado, sete mil cadeiras roubadas, a grama do campo deteriorada e milhões de reais jogados na lata do lixo.

A Odebrecht, obrigada pela Justiça do Rio a cumprir o contrato e assumir a gestão do estádio procurou uma parceria internacional e encontrou na Lagardére, uma empresa francesa, que administra 60 arenas no mundo, que faturou no ano passado 10 bilhões de euros, um parceiro interessado em assumir o Maracanã e cumprir todo o edital. Pois bem, ao Estado só cabe dar o “de acordo” no negócio privado entre a Odebrecht e a Lagardére. Depois de tudo acertado com os franceses, que receberam de Pezão a palavra empenhada, ele agora quer voltar atrás.

Por que será?

Por que o Estado, que não tem dinheiro para manter as suas escolas, hospitais, nem mesmo pagar os salários de seus funcionários, não quer dar o aval para o acordo entre duas empresas? O que quer Pezão? Deixar o Maracanã apodrecer no tempo?

A empresa francesa enviou por escrito ao governador cópia do seu acordo com a Odebrecht. Entre outras coisas, a Lagardére assumirá o valor da outorga ao Estado, no valor de R$ 600 mil / mês, investirá R$ 300 milhões em obras durante o tempo da concessão, e transformará o Maracanã na maior arena de eventos esportivos e culturais do país. Ainda utilizará os espaços internos do estádio para a implantação de uma universidade.

Um mistério: por que Pezão não quer que o acordo seja fechado? A Odebrecht não quer, o Estado não tem dinheiro, R$ 600 mil por mês de outorga é melhor do que nada, R$ 300 milhões em obras, dinheiro novo, vindo do exterior, sem custo para o governo, e Pezão não quer. Muito estranho...

Acho que nesta altura o governador ou dá o “de acordo”, ou municipaliza o estádio, porque os franceses também têm interesse no Parque Olímpico, que daqui a pouco também estará destruído sem não tiver uma manutenção adequada. Pezão diz que o Flamengo tem interesse. Todo mundo sabe que sou um flamenguista apaixonado, mas o estádio não pode pertencer a um clube, tem que ser de todos os clubes que quiserem jogar ali. É o templo do futebol brasileiro, e além do mais, o Flamengo não tem dinheiro para fazer as obras complementares do Maracanã.

A triste realidade é que Pezão, além de fraco e comandar um governo corrupto, tem uma equipe incompetente, despreparada, e que está espantando investidores, além de enterrar cada vez mais o estado. Vocês vão descobrir depois, se não houver uma pressão imediata da sociedade para que a Lagardére assuma o Maracanã, quem de fato está por trás dessa jogada que tem Pezão à frente. Como já sei o final da história anotem aí: Flávio Godinho, preso recentemente na Lava Jato, com US$ 52 milhões em contas no exterior, Eike Batista, Sérgio Cabral, e uma empresa de eventos esportivos ligada à Globo que quer melar o acordo com os franceses para ficar com o negócio.

Depois não digam que o general De Gaulle, que certa vez afirmou que “o Brasil não é um país sério”, diante do quadro do Estado do Rio de Janeiro não tem razão.