Reprodução do Radar online, da Veja
Reprodução do Radar online, da Veja

A razão de Eliseu Padilha ter se deixado abater e ficar aéreo e mudo nas reuniões do Palácio do Planalto não é apenas porque sabe que o governo está acabando, a contagem regressiva para o triste fim já começou. Claro que isso pesa, mas o principal motivo é que Padilha sabe que não poderá contar com um indulto ou uma saída negociada, como Temer está fazendo. O presidente busca uma alternativa jurídica, com o aval do STF, que ninguém sabe se dará, para ter uma garantia de que deixando o cargo não será preso até o julgamento. Mas isso não valerá para os dois ministros mais próximos, atolados até o pescoço na Lava Jato, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Jamais o STF aceitaria uma medida que preservasse o trio porque a sociedade veria como a institucionalização da impunidade. No caso de Temer, caso o indulto se materialize, também haverá forte reação da opinião pública, mas pelo menos há a justificativa de que é melhor para o país que ele saia logo. Mas isso não se estende aos dois ministros. Por isso, o ministro da Casa Civil sabe que, sem foro privilegiado, existe a possibilidade de acabar condenado e fazendo companhia a seu grande ex-amigo Eduardo Cunha.