Lendo os jornais do final de semana e depois da minha passagem em Brasília por dois dias gostaria de expressar minha opinião a respeito do que vi, ouvi e senti.

Em relação ao governo Michel Temer está se confirmando aquilo que eu havia dito na quinta-feira aqui no blog. Ele decidiu partir para o ataque, inclusive, a quem ele atribui estar fomentando na mídia notícias contra seu governo: as Organizações Globo. Se vai manter a estratégia após os últimos acontecimentos veremos. Mas a verdade é que a saída de Rocha Loures da cadeia, logo após a nota divulgada pelo jornalista Ricardo Noblat, no Globo, dando conta que ele faria delação premiada, deixou a todos perplexos. O retorno de Aécio ao Senado em situação muito mais grave do ponto de vista criminal ao delito cometido pelo então senador Delcídio Amaral está passado a sensação que a blindagem ao governo Michel Temer está funcionando. Também a escolha rápida da substituta de Rodrigo Janot na Procuradoria Geral da República, Raquel Dodge, que embora negue tem profundas divergências com o atual procurador dá indícios que o MPF vai tirar o pé do acelerador na Lava Jato.

O ambiente em Brasília, que era de dilúvio anunciado, deu uma clareada nos céus o. Resta saber se as nuvens carregadas que estavam sobre Brasília se espalharam de vez ou foi apenas um vento momentâneo e elas retornarão com força.

Ouvi de importantes lideranças petistas que embora digam abertamente que querem o afastamento de Temer, no fundo não é isso que desejam. O movimento feito pelo presidente na direção de abafar a Lava Jato e outras investigações da PGR interessa também ao PT e suas principais lideranças. Resta saber de forma decisiva qual será a reação do principal ator, o povo brasileiro. Estariam todos dispostos a “entubar” um acordão entre os três principais partidos do país, PMDB, PSDB e PT, para salvar seus líderes e evitar o impeachment de Temer?

Um deputado com quem conversei, amigo e fiel escudeiro de Eduardo Cunha, disse que o próximo a ser libertado da cadeia será ele. Garantiu que Eduardo vai ameaçar com delação premiada porque essa agora virou a senha que desespera o Planalto e aciona o sistema proteção para evitar o que chamam “caos político e econômico”.

Outra situação que alterou a relação de forças é a possível delação de Antonio Palocci, que jogaria para dentro da Lava Jato grandes nomes do sistema financeiro brasileiro, que entraram em campo e começaram a agir para evitar que o que ocorreu com as empreiteiras, que foram dizimadas no curso das investigações, aconteça com suas empresas. O poder dos bancos no Brasil é indiscutível e muito forte. Há ainda quem garanta, isso acho quase impossível, que Cabral estaria negociando prisão domiciliar em troca de delação premiada envolvendo altos membros da magistratura fluminense e nacional. Não creio, Cabral tem contra ele sete mandados de prisão, a revogação de todos seria uma via crucis. Vamos aguardar. Na política o senhor das decisões é o povo. Se o povo aceitar com tranquilidade e sem reação a boia de salvação do modelo político brasileiro, a meu ver esgotado, salva-se o governo Temer, o PMDB, o PT, o PSDB e os seus partidos satélites. Se o senhor dos destinos do país, “vossa excelência o eleitor” decidir ir para as ruas protestar, aí entra o “sobrenatural de almeida” e ninguém sabe o que poderá acontecer.