Vou aproveitar o domingo para fazer uma descrição mais elaborada sobre a quadrilha de Sérgio Cabral e onde a Lava Jato ainda não chegou e o horizonte que pode vislumbrar nas investigações.

Avanços

Em cima Adriana Ancelmo e Wilson Carlos; no meio Sérgio Côrtes e Luiz Carlos Bezerra; embaixo Hudson Braga e Avestruz (de barba) ao lado de Maurício Cabral (irmão de Sérgio Cabral)
Em cima Adriana Ancelmo e Wilson Carlos; no meio Sérgio Côrtes e Luiz Carlos Bezerra; embaixo Hudson Braga e Avestruz (de barba) ao lado de Maurício Cabral (irmão de Sérgio Cabral)


É inegável que o trabalho feito pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal com a Justiça Federal sobre a organização criminosa liderada por Sérgio Cabral revelou ao Brasil e, especialmente, ao povo fluminense, parte de um sistema apodrecido composto por políticos, empresários, membros da justiça e da polícia. Mas é preciso que as raízes desse esquema sejam eliminadas de vez, e como poderão perceber abaixo falta muito a ser investigado, desbaratado e saneado dentro do esquema criminoso que ainda comanda o Rio. Não podemos negar que a prisão de Cabral, Adriana Ancelmo, Wilson Carlos, Sérgio Côrtes, Luiz Carlos Bezerra. Carlos Emanuel Miranda, o Avestruz, Hudson Braga, Ary Ferreira da Costa, o Aryzinho, e outros, interrompeu parte da engrenagem criminosa. Porém sob o comando de Pezão ela continua desviando dinheiro público. Como nosso estado está às vésperas de assinar um novo acordo com a União, recebendo novos recursos é bom tomar cuidado para que o dinheiro não tenha o mesmo destino dos bilhões anteriores, como por exemplo as verbas para a Copa do Mundo e a Olimpíada, que viraram patrimônio privado no Brasil ou foram parar em paraísos fiscais no exterior.

Grupo Prol

Rei Arthur, o poderoso rei das terceirizações com contratos de bilhões com Cabral e Paes
Rei Arthur, o poderoso rei das terceirizações com contratos de bilhões com Cabral e Paes


Um dos maiores beneficiários do esquema montado pelo PMDB do Rio foi o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, o Rei Arthur. Antes controlador das empresas do grupo Facility, após engenhosa operação, seu antigo grupo foi adquirido por um fundo sediado na Suíça chamado Rise International, cujos representantes no Brasil inicialmente eram a ex-secretária de Educação de Cabral, Teresa Porto e o ex-assessor de Regis Fichtner na Casa Civil, Sérgio Fonseca Marcondes, posteriormente substituídos. Arthur César encontra-se atualmente no Brasil esperando ser preso a qualquer momento. Estranhamente disse a alguns dias a conhecidos que não retornava ao seu paraíso em Miami, para onde se mudou há alguns anos, com medo de ser detido ainda no aeroporto. O grupo liderado pelo Rei Arthur ganhou ilicitamente muito mais dinheiro que outros empresários já presos até agora. O rol de empresas controladas pelo fundo que ele mesmo criou e que diz ter comprado suas antigas empresas é hoje um dos maiores credores do estado, administra praticamente todos os postos de vistoria do Detran e espera ansiosamente a chegada dos recursos federais para colocar mais dinheiro em suas contas.



Regis Fichtner (à direita), no centro, Fernando Cavendish, e à esquerda, Julio Lopes numa farra da Gangue dos Guardanapos em Paris (foto na Avenue Champ Elysées)
Regis Fichtner (à direita), no centro, Fernando Cavendish, e à esquerda, Julio Lopes numa farra da Gangue dos Guardanapos em Paris (foto na Avenue Champ Elysées)


É um dos maiores responsáveis pela tragédia financeira do estado. É de sua competência exclusiva, inclusive outorgada por Sérgio Cabral através de decreto, a compensação de pagamento de impostos e dívidas usando precatórios. O rombo só nestas operações alcançou em quatro anos mais de R$ 8 bilhões de prejuízo aos cofres públicos. Esse esquema criminoso que criou um mercado paralelo de compra e venda de precatórios envolve dezenas de escritórios de advocacia do Rio de Janeiro. Regis, o mais antigo colaborador de Cabral, também utilizou seu escritório de advocacia para defender grupos econômicos beneficiados pelo Estado na gestão Cabral, entre eles o de Eike Batista, que contratou o escritório Andrade e Fichtner para defender seus interesses no caso das desapropriações ilegais das terras do Porto do Açu. O relatório de crimes cometidos por Regis Fichtner é extenso e está documentado na notícia-crime que protocolei junto à Procuradoria Geral da República em 4 de novembro de 2016.

Eduardo Paes



O sucesso da empreiteira Delta e Fernando Cavendish não ocorreu apenas nos governos federal e estadual. Sob a gestão de Eduardo Paes, antes que fosse revelado ao Brasil o esquema da Delta, ela nadou de braçada na Prefeitura do Rio tendo recebido quantia próxima a R$ 1 bilhão. Além disso até hoje Eduardo Paes não conseguiu explicar a existência das contas em nome de sua família (pai e irmã) no Panamá, abertas pela Mossack Fonseca, considerada a maior lavanderia de dinheiro sujo do mundo. Também no governo Eduardo Paes apenas a organização social dos irmãos Pelegrine foi investigada e seus proprietários presos. O secretário de Saúde de Eduardo Paes, Hans Dohmann, que foi diretor do INTO, quando o mesmo era dirigido por Sérgio Côrtes, levou para a Prefeitura do Rio o mesmo esquema de corrupção das OSs do Estado. As duas maiores beneficiárias até agora continuam impunes. São elas: Viva Rio e o IABAS, que aliás continuam trabalhando na prefeitura. Eduardo Paes vive nababescamente em Nova Iorque com gastos que superam US$ 50 mil sem que ninguém lhe cobre nenhuma explicação sobre a origem do dinheiro.

George Sadala

Farra da Gangue dos Guardanapos com George Sadala (à esquerda), Sérgio Côrtes, Fernando Cavendish e Wilson Carlos
Farra da Gangue dos Guardanapos com George Sadala (à esquerda), Sérgio Côrtes, Fernando Cavendish e Wilson Carlos


Famoso integrante do Gangue dos Guardanapos comandou no governo Sérgio Cabral o programa Rio Poupa Tempo, que o transformou de repente num milionário. Sadala, que no início do governo Cabral era considerado um empresário falido, adquiriu conforme documento juntado na minha notícia-crime à PGR, um luxuoso apartamento em Miami, no condomínio Jade Ocean and Beach, avaliado atualmente em US$ 2 milhões. Arrematou também em um suspeito leilão judicial um apartamento na Avenida Vieira Souto (Praia de Ipanema) nº 398 por R$ 2,7 milhões. Ocorre que o edifício onde fica o apartamento “Andrade Costa” é um dos mais luxuosos de Ipanema. O imóvel de Sadala tem 500 metros quadrados, com 4 suítes e vagas na garagem. Corretores consultados avaliaram que o imóvel de Sadala que “como estamos com o mercado em baixa, hoje uns R$ 15 milhões, mas nos bons tempos R$ 25 milhões seria um preço razoável”. É bom relembrar, como disse, que Sadala comprou por apenas R$ 2,7 milhões. O ex-falido, amigo de Cabral e Aécio, também adquiriu uma mansão em Mangaratiba no mesmo condomínio do ex-governador. Por sua luxuosa casa no condomínio Portobello pagou ao diretor Ricardo Waddington R$ 4 milhões. A “casinha” tem 5 suítes, piscina, campo de futebol entre outros mimos. Sadala, além de tornar-se grande amigo de Cabral, foi peça fundamental no esquema de Fernando Cavendish, através da Lavoro Factoring, onde o ex-empreiteiro esfriava o dinheiro para depois dá-lo em forma de propina a vários agentes políticos.

Jorge Picciani

Jorge Picciani com o filho Felipe, que toca os negócios da família
Jorge Picciani com o filho Felipe, que toca os negócios da família


É o maior fenômeno de enriquecimento ilícito no estado. Fazenda no Rio e em outros estados, empresas de mineração no Rio e em outros estados, empresas de eventos e negócios dos mais variados ramos fizeram de Picciani uma espécie de Don Corleone do Rio. Porém atua através de seu filho Felipe Picciani. Controla com mão de ferro a ALERJ, oferecendo cargos e dinheiro a uma quantidade imensa de deputados de quase todos os partidos. A propina de Picciani é suprapartidária, basta que atendam aos seus interesses. Muitos empresários têm negócios com Picciani, como o dono da INVESTIPLAN, Paulo Trindade, que somente no primeiro governo Cabral recebeu mais de R$ 200 milhões. Outro empresário poderoso que tem negócios com Picciani é Walter Faria, um dos donos da Itaipava (Cervejaria Petrópolis). Picciani tornou-se sócio dele na Mineradora Tamoio comprando a parte que pertencia a um defunto, inclusive o “ressuscitando” para ir em cartório e assinar a venda para o presidente da Alerj. Tudo demonstrado em documento, sem que nenhuma providência fosse tomada. Picciani ainda tem como sócio Mário Peixoto, aquele que alugou um castelo na Itália, o mesmo em que casou o ator Tom Cruise, para seu matrimônio. Conforme já mostramos em vídeo, a festa luxuosíssima teve como padrinhos os casais Picciani e Paulo Melo.

Luiz Zveiter

Sérgio Cabral com Luiz Zveiter
Sérgio Cabral com Luiz Zveiter


Por várias vezes o dono da Delta, Fernando Cavendish afirmou que pagou propina ao ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio e do TRE na obra de construção da lâmina três do TJ. Curiosamente Fernando Cavendish é o único empreiteiro, que após ser preso, encontra-se em prisão domiciliar sem ter feito delação premiada. Atualmente Luiz Zveiter responde no Conselho Nacional de Justiça a mais dois procedimentos administrativos, um deles sobre investigação da obra da Delta.

Outro dia um amigo que encontrou com um ex-advogado de Fernando Cavendish perguntou: “Como vai o seu cliente?”. Ouviu do ex-advogado do empreiteiro: “Não advogo mais para ele, aliás, ele nem precisa de advogado, tem gente muito mais importante para defende-lo”, e arrematou: “Enquanto Marcelo Odebrecht, que fez uma delação gigantesca continua na cadeia, Cavendish continua em casa por uma decisão sui generis”.

Zveiter sempre foi considerado o braço de Cabral na Justiça. Segundo um ex-diretor da Delta, que já tentou, sem sucesso, fazer delação premiada, o esquema Zveiter – Delta vai muito além da lâmina três TJ.

Pezão



Essa figura patética que (des)governa o nosso estado de bobo só tem a cara. Durante a gestão Cabral, quando era vice-governador e secretário de Obras, seu operador era Hudson Braga, o Braguinha, e a famosa “taxa de oxigênio” no valor de 1% recolhida por ele sempre foi para Pezão, Cabral ficava com 5%. Foi figura proeminente na corrupção de verbas federais na tragédia da Região Serrana, aliás denunciado pelo próprio MPF com sede em Nova Friburgo. Ao assumir o Governo do Estado, Pezão herdou parte dos esquemas de Cabral, como a propina da Fetranspor, entregue a um velho amigo seu de Piraí, o dinheiro das quentinhas, entregue ao seu genro Marcelinho, entre outros. O esquema das obras teve que parar porque o dinheiro do estado acabou.

Fiquemos atentos, o Rio está prestes a conseguir novos empréstimos e deixar de pagar a dívida com a União, tudo sob o pretexto que a prioridade é o pagamento dos salários atrasados, mas com essa turma solta é impossível garantir que o dinheiro para a conta dos que precisam.

Considerações finais

É claro que os nomes citados acima não são os únicos e, com certeza, existem outros que continuam atuando firmemente nos esquemas de corrupção que funcionaram anteriormente sob a liderança de Cabral e Eduardo Paes, e agora sob a regência de Pezão e Picciani. São vários deputados, prefeitos e ex-prefeitos, gente importante de outros poderes, que se não forem punidos vão continuar utilizando suas posições para praticar atos ilícitos e perseguir quem os denuncia.

Força à força-tarefa da Lava Jato do Rio e ao juiz Marcelo Bretas.