Não pretendia levar adiante a discussão a respeito das declarações do senhor Índio da Costa, dadas ao jornal Folha da Manhã, quando de sua passagem por Campos. Mas hoje ao chegar para fazer o meu programa na Rádio Tupi encontrei várias mensagens de pessoas que receberam pelo Whatsapp a matéria onde Índio da Costa procura desmerecer a minha pessoa, inclusive, um colega apresentador da Tupi me mostrou a mensagem no seu telefone.

Assim como com Pedro Paulo é perda de tempo discutir o que é populismo com Índio da Costa, afinal de contas ambos conhecem muito pouco sobre a história política brasileira para conhecer o significado real da palavra. Vou me ater apenas a fatos públicos que mostram o caráter do meu ofensor.

Vejamos em relação ao seu atual chefe hierárquico, o prefeito Marcelo Crivella. Em sua primeira eleição para o Senado, Crivella elegeu-se no palanque de Rosinha Garotinho. Nesse mesmo período Índio da Costa apoiava o candidato de Cesar Maia que era o deputado Sérgio Cabral, que se elegeu senador Sérgio.

Na segunda eleição de Crivella ao Senado, o IBOPE já dava como certa a ultrapassagem de Jorge Picciani sobre o atual prefeito, quando resolvi tirar o apoio de um dos dois candidatos de nossa coligação e apoiar Marcelo Crivella, que chegou à frente do atual presidente da ALERJ como menos de 200 mil votos. Só para se ter uma ideia da importância dessa decisão, o outro candidato da nossa coligação, o cantor Waguinho, que teve seu nome em todas as cédulas junto com Crivella, obteve mais de 1 milhão e 200 mil votos, e somente minha candidatura a deputado federal alcançou quase 700 mil votos. Não houve uma cédula minha onde não estivessem os nomes de Crivella e Waguinho. Logo após o resultado da eleição, Jorge Picciani atribuiu a sua derrota "à virada de última hora de Garotinho em direção a Crivella."

Na última eleição para o Governo do Estado, Índio da Costa apoiou no 1º e no 2º turnos a Pezão, e no 2º turno, quando declarei o apoio a Crivella, sem nada pedir, Índio gravou vídeos atacando a aliança do populismo evangélico que, segundo ele, tentava acabar com o Rio e afirmava: "Pezão é a solução".

Não era para menos. O seu partido, o PSD, ocupava as secretarias de Agricultura, com Christino Áureo, do Trabalho, com Arolde de Oliveira, e o Líder do Governo na ALERJ era André Corrêa, do mesmo partido. Portanto Índio é Cabral e Pezão, e defendeu durante todo o tempo esse governo que afundou o Rio de Janeiro.

Na recente eleição para prefeito do Rio, me procurou várias vezes em busca do apoio do PR, e provocou inclusive um racha no nosso partido, onde minha filha, Clarissa Garotinho e o diretório municipal se recusavam a apoiar Índio para ficar com Crivella. Aliás, o PR foi o único partido a apoiar Crivella no 1º turno.

É bom lembrar que enquanto a militância dos candidatos do PR defendia nas ruas o nome de Crivella, ele era ferozmente atacado na TV por Índio da Costa, que entre outras coisas dizia: "Já imaginaram o 'pau mandado' do Bispo Macedo governando a nossa cidade?". Após amargar o 4º lugar da eleição para prefeito, conforme ele mesmo disse na entrevista concedida à Folha da Manhã, as opções que restaram a Índio da Costa foram Crivella ou Freixo: "Meu eleitor não aceitava em Freixo, não tinha outra opção". Só faltou dizer que apoiou Crivella a contragosto.

Os tucanos que viram Índio da Costa ser vice de José Serra na eleição de 2010, atribuem a ele o péssimo desempenho da campanha no estado, pois afirmam que era um desagregador, e vez por outra falava alguma bobagem na imprensa.

Se ele deseja ser candidato a governador tem todo o direito. Se ele deseja ter o apoio do prefeito Crivella também tem todo o direito. Mas faça as coisas respeitando a história de cada um. Não conheço nenhuma grande obra de Índio da Costa, a não ser a mansão que ele construiu ilegalmente numa área de preservação ambiental, avaliada na época em R$ 8 milhões. Quanto a mim ele vai encontrar em cada cidade do estado obras como estradas, escolas, creches, pontes, universidades, restaurantes populares, viadutos, enfim, marcas daquilo que fizemos, eu e Rosinha, à frente do governo estadual.

Uma coisa me chama a atenção e acho que deve despertar a curiosidade de algumas pessoas. Deixei o Governo do Rio há exatos 15 anos e governei por apenas 3 anos e 3 meses. Passado tanto tempo sempre que se fala de política no Rio de Janeiro e se almeja agradar os poderosos da mídia ou setores mafiosos do estado procuram me atacar.

Outro dia diante das cenas que o grupo de Cabral proporciona em Benfica, agindo como se estivesse num hotel ou spa, agentes penitenciários resolveram gravar conversas, algumas delas impublicáveis, mas garantem que o secretário Índio da Costa está bem com essa turma. Em determinado momento, Sérgio Cabral se dirigindo a um dos colegas de presídio, cuja voz não dá para reconhecer, faz a seguinte afirmação: "Se o Índio for o candidato do Crivella é melhor a gente apoiar. Com ele tem conversa, ele foi meu secretário, Pezão também gosta dele. Com Garotinho estamos lascados".

Pelo jeito Índio já começa com bom apoio.