Sérgio Cabral preso; ao lado Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, o Rei Arthur, dono do grupo Facility, que mudou o nome para Prol
Sérgio Cabral preso; ao lado Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, o Rei Arthur, dono do grupo Facility, que mudou o nome para Prol

No esboço da delação premiada entregue pelos advogados de Sérgio Cabral ao Ministério Público, o ex-governador pretende contar em detalhes como funcionou o esquema de propina durante a sua gestão e envolve também o ex-prefeito Eduardo Paes e outras autoridades de outros poderes do estado.

Os procuradores estão eufóricos.

Um dos capítulos que Cabral pretende detalhar é como o Rei Arthur pagou US$ 1,5 milhão a Papa Massata, filho do presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack, usando uma offshore, cujo nome Matlock Capital Group, sediada nas Ilhas Virgens, para comprar seu voto na escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016.

O advogado que defende Cabral afirma no documento que pede que a delação seja aceita que o depósito ocorreu três dias antes da votação que consagrou a vitória do Rio, no dia 2 de outubro de 2009, em Copenhague. Alguns dias depois mais US$ 500 mil foram depositados na conta de Diack após a vitória do Rio sobre Madri por 66 votos a 32.

Ainda, segundo informações que já estão de posse dos procuradores federais, Diack repassou US$ 300 mil no dia da votação a Frankie Fredericks, também membro do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Interessante que no resumo entregue pela defesa de Cabral ao MPF, ele diz que a decisão foi tomada numa reunião que participaram ele, o ex-prefeito Eduardo Paes e o ex-presidente Lula.

A proposta de delação é ampla. Claro que a cereja do bolo é a compra da Olimpíada, mas os métodos usados pelo Rei Arthur são descritos de maneira de maneira pormenorizada por Cabral, inclusive, a quantidade de vezes que ele viajou no jatinho particular do empresário, e conta detalhes da mansão do Rei Arthur em Key Biscayne, em Miami, na Flórida. Segundo Cabral, além de praia privativa, tem quadra de tênis, cinema, num terreno de aproximadamente 1000m². A casa tem cerca 500m² de construção em dois andares, com paredes envidraçadas que cobrem 5 suítes.

O ex-governador disse ainda que Arthur lhe disse que pagou pela casa US$ 5,3 milhões em junho de 2014. Ainda segundo Cabral, o Rei Arthur é dono de um edifício de escritórios também em Miami, que ele teria visitado uma vez.

Só na Flórida existem registradas 28 companhias em que o Rei Arthur aparece como diretor, administrador ou agente. Nesse caso são empresas legais, não existem as offshores como a Matlock Capital Group, sediada nas Ilhas Virgens. O ex-governador acredita que Arthur Cesar, seu fiel escudeiro tenha mais offshores do que empresas legais, o que daria um número assombroso, já que as legalizadas somam 28 na Flórida e 16 no Brasil.

Um procurador que está acompanhando o caso dele acredita que Cabral no fundo seja sócio de Arthur em algumas empresas, pois é impossível saber tantos detalhes, como por exemplo, na maior parte das empresas da Flórida aparece a figura da Ana Paula Santiago, uma brasileira residente nos Estados Unidos, que sempre está como administradora das companhias. Segundo fontes do Ministério Público Federal, Arthur tem empresas de tudo, saúde, administração de imóveis, limpeza, segurança e outras.

Na avaliação dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Rio, as empresas do Rei Arthur receberam dos cofres públicos do estado, R$ 10 bilhões. Segundo o vazamento da delação de Marco de Luca, dono da Masan Serviços Especializados, que também fornecia alimentos para o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio, a contribuição do setor era de 10% sobre a fatura paga, ou seja, só do Rei Arthur, Cabral teria recebido R$ 1 bilhão, já que dentre as empresas que mais faturaram está a Facility Alimentação, que fornecia comida para presídios estaduais.

Para provar sua intimidade e veracidade das informações, Cabral afirmou que quando estava em Miami Beach visitava em companhia de Arthur e as respectivas esposas o restaurante Casa Tua, de comida italiana, que o estabelecimento é cercado por arbustos altos que escondem as luzes das velas postadas nas mesas.

Confirmada a delação já está, assim como pronta, esperando apenas a homologação. Resta saber se não haverá fortíssima influência de pessoas poderosas e influentes de outros poderes do estado que farão de tudo para evitar que a delação seja efetivada com a homologação.

A bomba está pronta para explodir.

Em tempo: As informações também estão na Revista Piauí.