Até as paredes do fórum de Campos dos Goytacazes sabem a verdade da Operação Chequinho. Uma ação política, midiática, judicial com intenção de interferir no resultado da eleição em Campos e impedir o avanço nas investigações sobre figuras do Judiciário fluminense envolvidas em diversos esquemas ilícitos. Para ficar fácil de entender o caso vamos citar pontualmente alguns absurdos da Operação Chequinho.

1 – O promotor de Justiça, Leandro Manhães, que foi o mais ativo neste processo sabia desde o início que não poderia atuar no caso, pois desde 2015 já havia sido denunciado por mim e por Rosinha por atos irregulares e por integrar uma organização criminosa com ramificações em várias áreas da cidade de Campos e municípios da região.

2 – O promotor Leandro Manhães foi o responsável pela solicitação verbal que desviou as provas do processo do juízo prevento ao juiz que lhe interessava, dr. Ralph Manhães.

3 – As denúncias seguidas de provas apresentadas por mim ao Ministério Público resultaram num PIC (Procedimento de Investigação Criminal) contra o promotor Leandro Manhães pelo próprio MP Estadual. Se não houvesse fundamento nos fatos e documentos apresentados, o referido procedimento, que corre em segredo de justiça, não teria sido instaurado.

4 – Todos os advogados que atuaram no caso acusam o juiz Ralph Manhães de cerceamento de defesa e outras arbitrariedades. O caso mais gritante é o advogado dativo Amyr Mussalem, nomeado por ele para o caso, e que deixou a causa acusando o juiz e pressioná-lo e ofendê-lo, inclusive representando contra Ralph Manhães junto à OAB.

5 – Não menos inusitada foi a nomeação do novo advogado dativo pelo juiz Ralph Manhães. Além do referido advogado nunca ter atuado na área criminal, conseguiu a proeza de ler 3 mil páginas do processo e escrever 80 páginas das alegações de defesa em apenas seis dias.

6 – Aliás é curioso que o juiz Ralph Manhães tenha estipulado como honorários do advogado dativo a quantia de R$ 130 mil, fora de qualquer parâmetro praticado corriqueiramente na justiça brasileira. Mais estranho ainda é que o funcionário da 100ª Zona Eleitoral aceitou as alegações finais do advogado indicado pelo juiz, mesmo já havendo um novo advogado com procuração há mais de 5 dias.

7 – Tão surpreendente quanto a agilidade do advogado em produzir esta peça de defesa é o conteúdo e a forma como ela foi feita. Sendo ele meu advogado nomeado pelo juiz nunca me telefonou, o que é obrigatório pela lei brasileira. Imensos trechos da defesa foram copiados do Google, no caso da defesa apresentada pelo então ministro José Eduardo Cardozo á Presidente Dilma não teve o cuidado sequer de corrigir a pontuação. Uma vergonha.

8 – Mas não é só. O dr. Ralph Manhães impediu a perícia técnica dos computadores da prefeitura pelo perito contratado pela defesa, Ricardo Molina. Também não deixou que o meu depoimento fosse gravado, como manda a lei, alegando que o equipamento estava com defeito embora nos dias em que as testemunhas prestaram depoimento os aparelhos estivessem funcionando. Deve ter sido coincidência.

9 – Mesmo tendo voltado atrás após decisão da desembargadora Cristina Feijó, do TRE-RJ, para conceder diligências a serem cumpridas pela Prefeitura de Campos deu o prazo de apenas 24 horas, o que fez a prefeitura, mesmo comandada por um adversário político, informar através de ofício, que as informações podiam conter alguns equívocos devido à exiguidade de tempo para cumpri-las.

10 – De fato elas têm várias contradições. Duas muito importantes. Uma das testemunhas arroladas pelo MP não ganha próximo de R$ 4 mil, conforme afirmou o ofício dirigido ao juiz, e sim R$ 12 mil, como mostra a própria folha de pagamento da prefeitura. A outra, uma testemunha que mudou de depoimento após sofrer pressão do delegado Paulo Cassiano, não foi demitida pelo prefeito Rafael Diniz, como afirma o ofício da prefeitura, e sim admitida na mesma data do ofício da prefeitura,

11 – Teria dezenas de outras ilegalidades, irregularidades, arbitrariedade, desvios de finalidade, cometidos pelo juiz, o advogado e o promotor, mas são tantas que encheriam páginas e mais páginas com os desacertos dessas autoridades.

Atenção: Em minhas alegações finais apresentei um anexo onde relato a pressão que sofri por um intermediário do desembargador Luiz Zveiter para não protocolar a denúncia contra ele por recebimento de propina da Delta, junto à Procuradoria Geral da República. Embora tenha muito mais a falar sobre esse tema, preferi tratar dele no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para não envolver o nome de importantes autoridades da Justiça que podem estar sendo vítimas dos falastrões enviados pelo senhor Luiz Zveiter para coagir, ameaçar quem tenta denunciá-lo.

Finalizando lembro a atual situação das 4 autoridades diretas desse processo.

Promotor Leandro Manhães – Responde a procedimento criminal no MP Estadual.

Juiz Ralph Manhães – Responde a procedimento administrativo no CNJ.

Juiz Glaucenir Oliveira – Responde a procedimento administrativo-disciplinar no CNJ por ter autorizado uma transferência médica colocando em risco a vida do paciente (meu caso).

Delegado Paulo Cassiano – Responde na Corregedoria da Polícia Federal sobre vários procedimentos que adotou neste caso, como por exemplo, obtenção depoimentos à base de tortura psicológica, constrangimento de testemunhas, uso de seu telefone funcional par pedir votos ao candidato Rafael Diniz e outros.

Como afirmei há dias, Cabral continua dando ordens de dentro do presídio, aliás jornais e televisões do Rio mostraram isso. Pergunto: não seria hora de tirá-lo daqui para um presídio federal em outro estado? Da mesma maneira que enfrentei perseguições, humilhações, injustiças quando denunciei a corrupção do poder executivo, nunca tive dúvida que sofreria fortes represálias, como venho sofrendo, quando as denúncias avançassem para outros poderes.