Ontem compareci à uma audiência onde o ex-secretário de Segurança Pública do Rio, o Sr Beltrame, me acusa de ter praticado contra ele os crimes de calúnia, injúria e difamação. A audiência ocorreu na 28ª Vara Criminal. Como o juiz que presidiu a audiência decretou ao final dela segredo de justiça, pois anexei documentos que envolvem quatro autoridades com Foro Privilegiado, não poderia tocar em assuntos que ocorreram durante o evento, que durou mais de quatro horas, das quais eu e meu advogado, Carlos Azeredo, falamos três horas e meia. Mas, como o juiz João Batista Damasceno publicou em seu Facebook fatos que ocorreram durante a audiência e recebi sua publicação via WhatsApp, vou apenas reproduzir o que ele colocou, confirmando ser verdadeiro o conteúdo das afirmações feitas por ele e dizendo que muito mais foi dito além do publicado.

Postagem do Facebook
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Realmente, é muito estranho o Sr Beltrame ocupar o cargo máximo da Segurança do Rio durante 11 anos e, sendo um homem oriundo do Setor de Inteligência, não ter visto o assalto praticado aos cofres públicos pela quadrilha de Sérgio Cabral acontecendo embaixo do seu nariz.

Interessante também que durante a audiência, ele afirmou que teve ciência das matérias contra ele porque é um leitor assíduo do meu Blog. Deveria também ter tido a preocupação e o zelo de apurar as denúncias de corrupção demonstradas documentalmente no Blog durante todo o período em que ele foi secretário.

Os arapongas de Cabral tem ligação com Beltrame



Qualquer cidadão inteligente sabe que um secretário de segurança tem que ter sob o seu controle a Inteligência da polícia que comanda. Ao deixar a secretaria poucos dias antes de Cabral ser preso, Beltrame deixou no comando da Inteligência o delegado Fábio Galvão, o mesmo que ocupou a função durante a sua gestão de secretário. Ou seja, continuou tendo acesso às informações de seu interesse através de seu ex-comandado. Até as paredes da Secretaria de Segurança sabem quem são os policiais que operam o jogo sujo de investigações feitas sem autorização judicial, clandestinas e a serviço dos interesses políticos do PMDB do Rio de Janeiro.

Não são apenas o juiz Marcelo Bretas e os integrantes da força tarefa da Lava Jato que estão sendo vítimas desses canalhas. Eu e outros políticos que não aceitamos fazer parte desse esquema bandido também fomos investigados, perseguidos, difamados, inclusive com produções de dossiês enviados a revistas com matérias produzidas para enganar a população. Esses maus policiais, à época, eram remunerados pela Prole, a agência de publicidade que acaba de delatar parte do esquema sujo de Cabral.

Me lembro que próximo às eleições, a Revista Época, das Organizações Globo, chegou a produzir algo raríssimo no jornalismo brasileiro. Em uma mesma semana, ela produziu uma revista com duas capas. Para o Brasil inteiro a capa da revista tratava da Dieta Paleolítica, uma modalidade nova de emagrecimento. Somente para o Rio de Janeiro, a capa da revista é a que vocês podem ver abaixo, onde sou chamado de sabotador das UPP's, junto com o ex-delegado de polícia Álvaro Lins que, inclusive, já ganhou direito de resposta contra a Infoglobo.



Já havia recebido informações que Cabral estava investigando a Força Tarefa da Lava Jato e o juiz Marcelo Bretas. Meus advogados já tinham preparado, inclusive, documento a ser enviado a ele nesse sentido. Porém, durante a audiência de ontem, afirmei que o Sr Sérgio Cabral, ex-chefe de Beltrame, vem comandando o Estado de dentro da prisão e o governador Pezão é seu mero ventríloquo.

Na ocasião da publicação da Revista Época, os nomes dos policiais que produziram essa mentira contra mim foram ditos da Tribuna da Assembléia Legislativa por um parlamentar estadual. São eles: o ex-policial civil Miguel Laino, condenado por corrupção; o inspetor da Polícia Civil, Fernando César Jorge Barbosa, indiciado na CPI do Narcotráfico e o escrivão das Polícia Federal, Tarimar Gomes Cunha; os dois últimos com cargo no Gabinete Civil à época dos fatos. É claro que junto deles existe uma grande equipe de arapongagem.

A matéria divulgada pela TV Globo no dia de hoje só confirma aquilo que tenho dito. Assista a reportagem do Jornal Hoje, onde é dito claramente que o banco de dados da Secretaria de Segurança está sendo utilizado para investigar o juiz Marcelo Bretas, o Desembargador Abel Gomes e a Força Tarefa da Lava Jato no Rio.



Quando exerci o mandato de deputado federal investiguei a Dígitro, empresa responsável pelo Guardião, que é o sistema utilizado pela Secretaria de Segurança do Rio para interceptações telefônicas. Coincidentemente, o criador do sistema para a empresa privada é o ex-diretor geral da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa, amigo de Beltrame, o mesmo que pediu para ele ser promovido a delegado federal sem concurso.
Se o juiz Marcelo Bretas pedir uma perícia no sistema Guardião, vai encontrar "coisas do arco da velha" não só a seu respeito mas muitas outras gravações realizadas sem autorização judicial, clandestinas, ilegais, porque o sistema desenvolvido pela empresa catarinense responsável pelo Guardião é auditável e lá serão encontrados, com certeza, os rastros que levarão aos autores dessas ilegalidades.

Os arapongas da ALERJ





Esse método de chantagem, intimidação e jogo sujo não é exclusivo de Cabral. O presidente da ALERJ, Jorge Picciani usa frequentemente para ameaçar adversários políticos que denunciam a sua fabulosa riqueza construída na velocidade da luz. Ele mantém na Assembléia sob comando de um delegado da Polícia Civil já denunciado por mim ao Ministério Público Estadual, um esquema que controla delegacias estratégicas para defesa de seus interesses e perseguição a adversários políticos. Por incrível que pareça, há alguns dias, mesmo sendo testemunha de acusação em um processo contra o empresário Fernando Trabach, por influência de um desses delegados, que está à disposição da ALERJ, minha residência em Campos foi alvo de busca e apreensão onde nada foi apreendido, apenas para criar um fato político negativo à minha imagem. As delegacias dos desejos do deputado Picciani são a Fazendária e a DRACO e lá usa seu arsenal de maldades contra quem desafia seu poder no Estado.

Aliás, fiz extensa denúncia ao Ministério Público dias atrás sobre a atuação desse grupo de policiais comandados pelo deputado Picciani relatando, inclusive, uma série de crimes recentemente cometidos por ele, entre outros, o detalhamento da aquisição da Mineradora Tamoio onde, sem ter os poderes de Jesus, Picciani ressuscita um morto para lhe vender a parte na sociedade desta empresa que forneceu mais de 80% das pedras para as obras olímpicas no Rio. Um verdadeira fortuna.

Tudo foi dito ao promotor Cláudio Calo, na presença de meu advogado e de seu principal assessor, da mesma forma como já havia feito em relação ao promotor Leandro Manhães aos membros do GAOCRIM.

O Ministério Público Estadual está diante de um grande desafio: recuperar a sua imagem perante a sociedade fluminense que assistiu o desmoronamento da quadrilha de Sérgio Cabral por obra do Ministério Público Federal e da Justiça Federal sem que o organismo estadual tivesse colaborado para que os crimes cometidos contra o povo do nosso estado tivessem sido evitados por uma atuação pró ativa do MP Fluminense.

É hora de acabar com os arapongas que atuam a serviço de Cabral, Picciani e do próprio governador Pezão que, sabedor de todos esses fatos, não tomou nenhuma medida para evitá-los ou coibí-los.

Inclusive, muito antes da Operação Lava Jato, nosso Blog denunciou o assassinato de um babalaô cubano, que era amante da mulher de Aryzinho, um dos operadores de Cabral, cujo crime nunca foi esclarecido e pairam suspeitas fortíssimas que o autor do homicídio tinha na verdade a intenção de eliminar uma testemunha chave das falcatruas que Aryzinho cometia em parceria com Sérgio Cabral.

Essa gente é covarde. Mata mesmo. É bom que os juízes e promotores que investigam essa quadrilha tomem precauções. Afinal, o pior inimigo da lei é aquele que não tem nada a perder e Cabral já sentiu que esse é o seu caso e do seu bando.