Como o senhor viu a decisão que impôs medida cautelar a Rosinha?

Mais uma tentativa de humilhá-la. Ela não fez nada para ser presa e agora querem que ela use tornozeleira eletrônica. Isso demonstra que os julgadores não devem ter lido o inquérito, ou pelo menos a decisão do juiz.

Por que tanta convicção?

A peça do Ministério Público está errada. A doação é legal, e não é possível que o órgão em Campos, a Polícia Federal, o próprio magistrado não tenham visto isso.

O senhor insiste na tese de perseguição?

Não é tese, é fato. O juiz tinha que se dar por impedido e não o fez. O Ministério Público deveria instruir com provas, pelo menos indiciárias, mas nem isso há. E mais, desculpem minha franqueza. Sou obrigado a rir, mesmo nesta situação, quando o juiz Glaucenir diz que a Justiça do Rio vem promovendo uma cruzada contra a corrupção. Só se ele estiver se referindo à Justiça Federal, porque a que ele integra nada fez contra a quadrilha de Sérgio Cabral que faliu o nosso estado.

O senhor já está preso, sem ser julgado, há 14 dias. Quanto tempo acha que demorará para ser solto?

Não é ser julgado, é sequer ser ouvido. Bastaria uma explicação para mostrar que a denúncia parte de uma mentira, e que a doação é legal. Aliás, basta ler o depoimento do senhor Ricardo Saud para ver que há algo estranho. Primeiro ele afirma que a JBS não iria doar dinheiro para mim porque não tinha negócios no estado, e nenhum em Campos. Depois ele afirma que sequer me conhece ou esteve comigo algum dia, e que não tem conhecimento do destino dado ao dinheiro que a JBS destinou à tal empresa, e o mais incrível, cai em contradição quando afirma que “assim que esse contrato e a nota fiscal chegaram ao meu conhecimento dei autorização para o pagamento”. Porém no mesmo depoimento ele afirma que “a primeira vez que li esse contrato foi no dia de hoje, a caminho desta audiência”. Querem contradição maior que essa?

Isso está no depoimento dele?

Sim, no depoimento prestado ao Ministério Público e à Polícia Federal, na superintendência do Rio de Janeiro no dia 24 de agosto. E é inacreditável que o MP tenha considerado como prova o depoimento do deputado Pudim, prestado no período em que estava sendo expulso do partido por mim, e por ter se aliado ao deputado Jorge Picciani e à corrupção do PMDB no estado. Além do delator, as testemunhas são o cunhado e o sogro do empreiteiro, que dizem não ter participado da tal reunião, e que só sabem o que foi relatado por André, o delator-empreiteiro, hoje o maior recebedor de obras de manutenção da Prefeitura de Campos. Só até outubro já havia recebido, de acordo com o Portal da Transparência, mais de R$ 5 milhões para reparos em escolas e creches.

O senhor pretende levar todos esses fatos ao CNJ?

A situação é gravíssima. Estou sendo vítima de um processo político-judicial. Para mim os atores dessa perseguição implacável estão muito bem claros. Em Campos são os juízes Glaucenir Oliveira e Ralph Manhães. No plano político estadual é a quadrilha de Sérgio Cabral que está com sangue na boca, quer a minha cabeça, e em Campos têm o apoio do prefeito Rafael Diniz, eleito através de uma fraude na opinião pública chamada “Operação Chequinho”.

Mas esses casos são muito complexos, alguns têm a ver com o CNJ, outros com o MP, outros com questões políticas.

Você tem razão, é muito difícil para o cidadão comum, mesmo o mais esclarecido entender os fatos. Então vamos deixar claro algumas situações para não criar confusão na cabeça das pessoas. Não fiz nenhum dossiê contra o Judiciário. Não tenho nada contra a Justiça. Não fiz um papel ou um panfleto, é uma notícia-crime com mais de 2.000 páginas, protocoladas junto a um órgão oficial.

Diante de tamanha ilegalidade o senhor tem recebido solidariedade?

Aqui é um mundo isolado, mas acho interessante como funcionários e outros internos vêm falar comigo: “Poxa, no seu tempo era tão bom, tinha farmácia com remédios a R$ 1”. No dia de visita dei até autógrafo a uma jovem que disse que estava levando-o para sua mãe, que é minha admiradora, e me disse que ela diz que eu fui o único que governei para os pobres. Talvez seja por isso que eu esteja preso.

Postado pela Equipe Garotinho