Por Clarissa Garotinho

Nestes dias de folia um pré-candidato a governador afirmou que vai estadualizar o Carnaval. Aproveitou o tom de críticas levantado na festa para fazer discurso oportunista e delirante.

O Carnaval é uma das maiores festas do planeta, televisionada em vários países do mundo e uma tradição da cidade do Rio de Janeiro! O Carnaval é expoente da cidade e mesmo quem não gosta da festa reconhece isso. Tirar a organização do carnaval do município e passar para o estado é querer esvaziar a cidade do Rio de Janeiro!

O fato de terem escolas de samba de outras cidades do estado participando como protagonistas da festa não é razão para tirá-la da responsabilidade do município. É da cidade do Rio de Janeiro o desafio para organizar a participação de mais de 5 milhões de foliões nos blocos de rua e recepcionar os turistas que chegam de todas as partes do mundo através do Porto e dos nossos aeroportos. É desafio da prefeitura do Rio organizar a limpeza das ruas e o trânsito que precisam de esquema especial. É aqui na cidade que recebemos o impacto econômico, social e logístico deste grande evento.

Tirando este aspecto, que já seria suficiente para refutar tal proposta, o governo do estado não está conseguindo assumir sequer suas responsabilidades básicas. Fechou as Bibliotecas Parque e os Restaurantes Populares, que ficaram destruídos e agora estão sendo reabertos sob a responsabilidade do Município. O Estado não quer a gestão do Maracanã e quer entregar a do Theatro Municipal. Já tentou municipalizar a gestão de hospitais, postos de saúde e escolas... e mesmo neste cenário aparece gente querendo estadualizar o Carnaval. É inacreditável! Só para deixar claro: é necessário aumentar a participação de capital privado na festa. O que não faz nenhum sentido é tirá-la do município!

Por fim, nosso estado está vivendo a maior crise financeira da sua história recente. Estamos convivendo com a insegurança constante, com a péssima qualidade dos serviços e atrasos constantes nos salários dos servidores. O próximo governador terá desafios enormes com os quais se preocupar ao invés de ser fiscal da Sapucaí e da Liga das Escolas de Samba, que tem feito o Carnaval acontecer durante tantos anos.
É tempo de Carnaval! É tempo de brincar nas ruas, não em palanque eleitoral!