Ontem, eu e um amigo travamos uma conversa que começou com a seguinte pergunta: Você não se arrepende de ter feito essas denúncias contra essa gente poderosa do estado que hoje te persegue?

Minha resposta foi: Não! Eu apenas entendo...

- Você não acha que criou problemas de mais com a Globo, com Sérgio Cabral, Picciani, o Rei Arthur e centenas de outros empresários e políticos envolvidos com a corrupção?

Respondi: Não! Eu apenas entendo...

- Você não acha que ter denunciado o Poder Judiciário do estado foi um erro? E que eles não deixarão você ser candidato?

Respondi: Não! Eu apenas entendo...

- Entende o quê?

Sabia desde o início que não seria fácil, que poderia ser perseguido, processado e até preso, mas a outra opção é a dos covardes: fingir que nada está acontecendo. A vida é feita de escolhas e eu fiz a minha. E toda escolha tem um preço! Estou pagando o preço das minhas. O silêncio talvez me trouxesse benefícios materiais e quase nenhum problema, mas me traria um sentimento de covardia e cumplicidade que eu jamais me perdoaria.

- E o que você ganhou com isso?

Três prisões, uma centena de processos, inimigos poderosos e corruptos, e infelizmente, a incompreensão de boa parte da população.

- Mas isso não te incomoda?

Eu compreendo! Numa sociedade que está apodrecida como a nossa eu estaria estranhando se estivesse sendo aplaudido.

- Mas e aí o que vamos fazer?

Sinceramente? Não sei! Ninguém sabe! Eu fiz o que a minha consciência e o meu dever cobrou de mim. Perdi amigos que nunca foram amigos. Portas foram fechadas porque estavam abertas por interesse. Falei o que todo mundo sabia, mas não tinha coragem para dizer, e os que praticavam os erros não queriam ouvir.

- Mas isso só te levou ao isolamento. Hoje nem partido para ser candidato você tem. Até isso te tiraram!

É. O que eu posso fazer? Eu compreendo! É bem capaz deles elegerem alguém que pareça ser de oposição para dar continuidade a tudo que está aí.

- E você como ficará?

Não sei! Fiz o que achei certo. O tempo decifra os fatos melhor do que um momento. Talvez um dia me deem razão!

- Um dia pode ser tarde.

Eu entendo a sua pressa. A sua angústia. Às vezes sinto a mesma dor, mas eu já fiz a minha opção, e ela foi por falar o que eu considero o certo e agir de uma forma pouco comum. Se agigantar diante dos grandes e se apequenar para conversar com os humildes. A maioria prefere o contrário.

- Eu não entendo você!

Não tem problema. Um dia com certeza a história entenderá!