O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, acolheu pedido do juiz Sérgio Moro para ter acesso a arquivos de mídia e ao aparelho celular do ex-deputado Eduardo Cunha de forma a viabilizar a realização de perícia requerida pela defesa.

Segundo a Polícia Federal, constam no aparelho mensagens em que Cunha cita o presidente Michel Temer. O diálogo, segundo interpretação dos agentes, trata do pagamento de propina pelo empresário Joesley Batista, do Grupo J&F.

A PF já fez uma perícia no aparelho, cujo laudo encaminhou a Fachin. Segundo os investigadores, Cunha e o então deputado Henrique Eduardo Alves (MDB-RN) conversaram, em 2012, sobre o repasse de propina por Joesley Batista a políticos do MDB na Câmara.

De acordo com a PF, em certo ponto do diálogo, Cunha disse a Alves que a distribuição de pagamentos combinada com Joesley não agradaria a Temer.
Entretanto, quando o inquérito foi remetido à primeira instância, somente o laudo foi encaminhado junto aos autos, motivo pelo qual a defesa de Cunha solicitou o envio do aparelho e das mídias com os arquivos extraídos para nova perícia.

Nesse inquérito da Lava Jato, Cunha é investigado por supostamente participar de um esquema de desvio de recursos na contratação de navios-sonda pela Petrobras. O ex-deputado nega qualquer participação. Condenado em dois processos a 39 anos de prisão, ele se encontra preso preventivamente no Complexo Médico-Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.