Um ano e dois meses depois de desbaratar um esquema de corrupção na saúde pública do Rio na operação ‘Fatura Exposta’, que levou empresários e o ex-secretário de saúde do estado à prisão, a força-tarefa da Lava-Jato volta às ruas nesta quarta-feira para prender o empresário Miguel Iskin, seu sócio Gustavo Estellita e outras 20 pessoas, além da busca e apreensão em 44 endereços no Rio e São Paulo. Também foi decretado o bloqueio de bens dos investigados no valor de R$ 1,2 bilhão na operação denominada ‘Ressonância’.

A operação mira agora empresas envolvidas no esquema de cartelização e desvio de dinheiro no fornecimento de próteses e equipamentos médicos por meio de fraudes em licitações no chamado "clube do pregão internacional" liderado por Iskin. Foi identificado um cartel de fornecedores que atuou no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).

Miguel Iskin é apontado pelo Ministério Público Federal como o “grande corruptor” da iniciativa privada na área da saúde no Estado do Rio, reconhecido como um dos principais fornecedores de equipamentos médico-hospitalares. Sua influência entre políticos de 'alta patente' tanto no Rio quanto em Brasília somada à sua postura para lidar com os negócios lhe rendeu o apelido de "Xerife". Foi com essa influência no meio político que Iskin se livrou de prestar, graças a Eduardo Cunha, depoimento em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de 2015 que investigava fraudes no mercado de órteses e próteses. Cunha está preso na Operação Lava-Jato desde outubro do ano passado.

Ainda de acordo com as investigações do Ministério Público no âmbito da Fatura Exposta, Iskin seria responsável por repassar R$ 450 mil por mês ao ex-governador Sérgio Cabral.