O operador financeiro Adir Assad afirmou em acordo de delação premiada ter repassado, entre 2010 e 2011, de R$ 1,2 milhão a R$ 1,4 milhão em espécie para a Yuny Incorporadora, empresa que tem como sócios Marcos e Marcelo Mariz de Oliveira Yunes, filhos do advogado José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer.

Assad é apontado como o maior "noteiro" a atuar nos desvios apurados na Lava Jato e em pelo menos outras duas operações: a Monte Carlo e a Saqueador. Segundo o Ministério Público Federal, as empresas de fachada do operador firmavam contratos fictícios com grandes empresas. O valor dessas notas, descontado o porcentual cobrado por Assad, era transformado em dinheiro em espécie e devolvido à empresa ou a operadores de propina indicados por ela.

Assad foi condenado a 9 anos e 10 meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

José Yunes, por sua vez, deixou o governo Temer após ter sido citado na delação de Cláudio Mello, da Odebrecht. O executivo disse que parte dos R$ 10 milhões solicitados em reunião no Palácio do Jaburu, da qual o ministro Eliseu Padilha e Temer participaram, teria sido entregue no escritório de Yunes, na capital paulista. O advogado também é investigado no inquérito sobre o chamado Decreto dos Portos. A hipótese da Polícia Federal é de que ele seria um dos intermediários para recebimentos ilícitos de Temer.