Se a lei de abuso de autoridade estivesse em vigor, o juiz que ordenou a prisão do casal Garotinho seria imediatamente preso, assim como os promotores estaduais que solicitaram a prisão.

A perseguição à família Garotinho é um dos episódios mais abusivos de um país que não respeita nenhuma forma de direito individual.

Passei a acompanhar o seu caso quando foi retirado de um hospital, de maca, para ser enviado à prisão, com a imprensa inteira celebrando e colunistas indignos, como Artur Xexéu, ironizando o choro da filha. Na época fui atrás de dicas remetidas para o GGN, que mostravam uma autêntica conspiração envolvendo especuladores imobiliários, o juiz de Campos, promotor, delegado da Polícia Federal, juiz eleitoral até chegar aos tribunais superiores.

Garotinho tem duas características.

A primeira, é valente até o limite da temeridade. Enfrenta juízes influentes, como os Zveiters, a Globo, os tribunais. A segunda é que não tem padrinhos. Não tem a solidariedade da esquerda, por não ser um esquerdista típico, nem de personalidades públicas, por ser um político paroquial e se indispor com a Globo, não desperta solidariedade de ministros de tribunais superiores nem de porta-vozes dos direitos humanos. Esses dois aspectos o tornam um alvo fácil para as represálias do Judiciário.

Não sei de sua vida política. Sei de uma vida privada discreta, sem sinais exteriores de riqueza. E de uma vida familiar adorável, com sua penca de filhos.

César Maia mora em um apartamento de mais de 10 milhões de reais, erguido com autorização do meio ambiente em seu tempo de prefeito, e foi alvo de delação. Eduardo Paes saiu da prefeitura e passou um ano em Nova York. E foi alvo de delações. Ambos jamais foram incomodados – e espero que não sejam até que os fatos sejam devidamente apurados. O casal Garotinho foi preso por “suspeita” de superfaturamento. E mora até hoje em um apartamento modesto, de classe média.

Essa sequência de abusos precisa acabar, ainda mais agora que o Supremo Tribunal Federal acordou para o clima inquisitorial criado pela Lava Jato. O Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público não podem deixar esses abusos passarem em branco.

O caso Garotinho pode ser emblemático para o início da volta do estado de direito ao país.

REPRODUÇÃO DO SITE GGN

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