Uma ferramenta do Ministério Público do Rio (MPRJ) aponta que o Rio de Janeiro foi o estado que pagou mais caro na compra de respiradores durante a pandemia. Segundo a ferramenta, as três compras mais caras do ano para adquirir respiradores pertencem ao estado.

Os dados comparam os valores desembolsados pelo RJ com outros estados e com o Ministério da Saúde.

A iniciativa é uma inovação do MPRJ em parceria com o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Apesar de ter feito altos gastos, os produtos ainda não foram recebidos. O RJ2 desta sexta-feira (26) fez um levantamento dos contratos.

“É uma ferramenta que busca dados numa parceria como TCE e também através de bancos de dados públicos de portais de transparência ela permite que o promotor atue focado naquele caso onde há maior risco de dano ao erário”, afirmou o coordenador do MP Sidney Rosa.

1ª colocada
Com a empresa A2A, o estado comprou 300 respiradores pelo preço de R$ 198 mil cada. Destes, nenhum foi entregue. E, mesmo assim, a empresa já recebeu R$ 19,8 milhões dos cofres públicos. O dono da A2A Comércio, Serviços e Representações Ltda, Aurino Filho, foi preso na Operação Mercadores do Caos.

2ª colocada
A segunda colocada no ranking dos preços mais altos foi a compra de 300 respiradores do modelo VG70 ventilator com a MHS, por R$ 187 mil cada. O dono da MHS, Glauco Octaviano Guerra, também está na cadeia. A empresa já recebeu mais de R$ 18 milhões e, dos 300 respiradores, apenas 97 chegaram ao país. Os aparelhos continuam no terminal de cargas do Aeroporto Tom Jobim.

3ª colocada
A terceira colocada no ranking é a ArcFontoura. Ela fechou um contrato com o estado para venda de 400 respiradores ao custo de R$ 169 mil. No entanto, entregou apenas 52, que não serviam pra Covid. O dono da empresa e sua esposa, – também estão presos.

Desde o início da pandemia, o estado do Rio de Janeiro já fez 160 contratações emergenciais, que não precisam de licitação, com 95 empresas.

Destas, o MPRJ mapeou que pelo menos nove já são investigadas por dano aos cofres públicos em negociações com o estado. O valor de todos os contratos somados passa de R$ 1,7 bilhão.

O que diz a secretaria de Saúde

A secretaria estadual de Saúde informou que está revisando todos os contratos e bloqueando as contas de fornecedores.

REPRODUÇÃO: TRIBUNA NF

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