O prefeito Eduardo Paes gosta muito de exaltar o espírito caloroso, amigo e democrático dos cariocas. Infelizmente ele não pode ser incluído nesse perfil, pois se trata de uma pessoa fria, sem amor no coração, que abomina os pobres e só gosta dos ricos.

Nunca na minha vida, em lugar nenhum do mundo, tomei conhecimento de uma medida desumana e deplorável, como a que Paes, orientado pelo seu “fiscal-chefe” Rodrigo Bethlem determinou à secretaria de Obras, a fim de reprimir a população de rua.

Colocar pedras pontiagudas embaixo ou nos espaços laterais dos viadutos para impedir que a população de rua durma nesses locais é revoltante. Parece coisa medieval ou uma dessas monstruosidades praticadas por ditadores loucos. Me lembra até aquela história mais antiga, quando tinha gente defendendo jogar creolina nas calçadas para espantar mendigos. Ou então, a história da ex-deputada Sandra Cavalcanti, que no governo Lacerda mandava levar os mendigos para Baixada. Dizem até que alguns eram jogados no rio da Guarda.

Ninguém gosta de ver pessoas dormindo ou morando na rua, embaixo de viadutos ou de marquises. Mas não é desse jeito que as pessoas devem ser tratadas. Ninguém dorme e vive na rua porque quer. Ou estão ali porque não têm para onde ir, ou porque sofrem de patologias e/ou dependência química. Precisam ser acolhidas, tratadas e recuperadas.

Isso nem o prefeito, nem o governador fazem. Sérgio Cabral, com a ajuda de sua secretária Benedita da Silva, acabou com a Fundação Leão XIII, que hoje, sem projetos e esvaziada, praticamente só existe no papel. O prefeito Eduardo Paes com a Operação Choque de Ordem apenas tira essas pessoas da Zona Sul e as abandona em outros bairros. Ninguém faz nada. Só essa maldade. Não tenham dúvidas, de que essa monstruosidade vai acabar na imprensa internacional e depõe contra os cariocas e sua imagem de espírito cordial.

Além do mais, vejam a prioridade do prefeito. Depois de admitir que a conservação da cidade vai mal, em vez de cuidar dos postes sem luz, da buraqueira nas ruas, do mato alto e das árvores que precisam de poda; com tanta obra urgente fica desviando pessoal, máquinas e veículos para espalhar pedras contra os mendigos. Devia ter vergonha!

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