Reprodução do Globo online
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É evidente que há muito tempo vêm ocorrendo vazamentos seletivos das delações da Lava Jato. O ministro do STF, Gilmar Mendes afirmou ontem, durante julgamento da 2ª turma do STF, que a "divulgação indevida por parte de autoridades de conteúdo sigiloso de investigações tem o objetivo de destruir a vida de políticos escolhidos pelos investigadores".

O ministro Gilmar Mendes foi mais longe:

"Quando praticado por funcionário público, vazamento é eufemismo para um crime que os procuradores certamente não desconhecem. A violação do sigilo está no artigo 325 do Código Penal. Mais grave é que a notícia dá conta dessa prática dentro da estrutura da PGR. Isso é constrangedor".

"Se determinados documentos estão sob sigilo e se se inicia o vazamento sistêmico, como aqui está noticiado, trata-se de desmoralização desta corte. Não preciso lembrar que se trata de crime, que certamente será cuidado pela Procuradoria, ou não, por se tratar de vício de caráter corporativo".

"Não haverá justiça com procedimentos à margem da lei. As investigações devem ter por objetivo produzir provas, não entreter a opinião pública ou demonstrar autoridade. Quem quiser cavalgar escândalo porque está investido do poder de investigação está abusando do seu poder e isso precisa ser dito em bom tom".


Não é a primeira vez, nem será a última que haverá embates entre ministros do STF e a Procuradoria Geral da República, mas vamos aguardar qual vai ser o posicionamento do Procurador Rodrigo Janot.