Reprodução da Folha de S.Paulo
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O senador Aécio Neves é um cara de pau. Na sua coluna semanal, na Folha de S.Paulo, a última, porque se despede dizendo que vai ter que se dedicar a sua defesa (eufemismo para dizer que foi dispensado), Aécio é de um primor de cinismo.

Escreve o senador, que está com o mandato suspenso: "Lamento sinceramente minha ingenuidade - a que ponto chegamos, ter de lamentar a boa-fé! Não sabia que na minha frente estava um criminoso sem escrúpulos, sem interesse na verdade, querendo apenas forjar citações que o ajudassem nos benefícios de sua delação."

Bem, Aécio se diz "ingênuo" e um homem de "boa-fé", que caiu numa armadilha. Deve achar que todos nós somos ingênuos. É bom lembrar que contra Aécio não há apenas a gravação onde pede R$ 2 milhões a Joesley Batista, nem planilhas e comprovantes de depósitos no exterior. Aécio responde hoje seis inquéritos no STF, relacionados à campanha presidencial de 2014, às eleições ao governo de Minas em 2010, às obras da Cidade Administrativa de Minas e aos empreendimentos do Rio Madeira e das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. além de outro sobre o esquema de propinas em Furnas. E obviamente o caso da JBS será o sétimo.

Já perdi até a conta de quantos milhões em propinas são atribuídos ao senador mineiro, boa parte depositados no exterior. E é bom Aécio se preparar porque, dizem, seu primo preso na operação Patmos, na semana passada, Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred, que apanhou o dinheiro enviado por Joesley, não é homem de segurar a barra sozinho. Já andava se queixando ao executivo Ricardo Saud, da JBS, que não aguentava mais a situação de risco de ter que pegar dinheiro para Aécio. Dizem que não vai ser preciso pressionar muito para ele começar a falar.