Recebi de um jovem muito humilde a gravação que ele fez no seu telefone de uma conversa onde participaram o prefeito de Campos, Rafael Diniz e alguns amigos e assessores. As horas de gravação que eu ouvi são assustadoras, comprometedoras e revelam situações constrangedoras para os citados nas conversas regadas a muita bebida.

Assim como ocorreu nos vídeos e fotos que revelei de Cabral em Paris, me comprometi a nunca revelar a fonte e nem mesmo divulgar todas as fotos, a não ser que tivessem algum interesse jornalístico ou policial. E é o que farei agora. Até porquê, pelo nível da conversa e o estado etílico de alguns, falam de coisas pessoais, que podem não ser verdadeiras, que gerariam até conflitos em relacionamentos, como traições entre casais, acusam membros do Judiciário de coisas que certamente podem ser somente uma bravata. Mas a conversa demonstra sobretudo um grupo desorientado, sem liderança, um prefeito despreparado e sem a menor noção das responsabilidades que estão sobre seus ombros.

Minha trajetória jornalística de já ter investigado e provado com documentos diversos atos de corrupção que levaram muitas autoridades à cadeia, como as duas mais recentes, envolvendo Sérgio Cabral e a CBF, me fazem sentir a certeza que Campos está em mãos de pessoas no mínimo desqualificadas.

Para que você possa entender melhor os trechos que vou reproduzir, a conversa se dá com seis pessoas, todas do sexo masculino, num ambiente fechado de uma casa onde todos bebem muito e conversam sobre política, a vida pessoal de dezenas de pessoas da cidade, o Judiciário de Campos, incluindo aí autoridades do Ministério Público e da polícia, e amenidades, como por exemplo um dos participantes que adora contar piadas.

Como jornalista tenho obrigação de trazer à luz apenas o que é de interesse público. Além disso, empenhei minha palavra que a prova seria destruída imediatamente, como foi, e o nome da pessoa preservado, como a lei me garante do “sigilo da fonte”.

Tudo o que estiver com A maiúsculo se refere a um dos amigos do prefeito que esteve no evento. Tudo que estiver com R maiúsculo são palavras do próprio prefeito. Alguém poderia perguntar por que não coloco trechos do áudio. Teria que haver edição e como a pessoa que me entregou a gravação também participa e logo seria identificada e perseguida. Quero deixar claro que os trechos divulgados são mínimos, e excluem todas as citações que envolvam casos pessoais ou possam se apenas uma especulação.


A: Você não acha que esse corte de todos os programas sociais de uma vez vai dar merda?

R: Vai nada. Eles deram cheque cidadão 8 anos. 200 todo o mês. Peguei a turma que sabe comprar votos e gastei na última semana. Saiu mais barato. (risos) Pobre se vende à toa. Se cheque desse voto, Chicão ganharia no 1º turno. Com a mídia na mão a gente segura esse pessoal mais pobre.

A: Sei lá, acho que o que vai dar mais falatório é o restaurante. Tem gente até que não come lá que tá falando mal do governo.

R: Deixa de besteira. Você acha que alguém que come lá votou na gente? Aí, porra, nosso pessoal frequenta a Pelinca. Estão até comemorando o fechamento daquela merda. Quer comer? Vai ali perto do Jardim S. Benedito que tem umas freiras que dão comida de graça.

A: Rafael, acho que você devia fazer alguma coisa pelos funcionários públicos. O pessoal está metendo o pau, principalmente uma turma da saúde e a guarda.

R: Vovô sempre dizia que funcionário pode até atrapalhar a eleição, mas não elege ninguém. Olha só, sai muito mais barato eu ter o pessoal do sindicato, do SEPE na mão, na gaveta, que sair distribuindo aumento com um pessoal que não gosta de trabalhar.

A: Mas pelo menos você devia manter aquela situação do pessoal da Guarda Municipal.

R: Já ouviu aquele ditado, quem come e guarda, come duas vezes (risos).

A: Cara, se tivesse uma eleição hoje, você perderia até pro Pudim. Estamos mal. Quem está crescendo aí é o Caio. Vi uma pesquisa que você tá com mais de 80% de reprovação.

R: Meu irmão, tô doido pra acabar essa porra logo. Não aguento mais todo o dia pobre na minha porta pedindo emprego; reclamação que não tem remédio; pedindo casinha, sacolão, tijolo. Quer saber?Não tô conseguindo nem f.... direito. Pô, ninguém merece isso. Tô de saco cheio. Vereador pedindo emprego toda a hora. E os caras são uns babacas, querendo botar parente, são uns merdas.

A: Cara, calma, daqui a pouco você vai estar arrumando briga com todo mundo. Não pode ser assim.

R: Calma porque não é você, porra. Ter que aguentar Loureiro querendo fazer negócio o tempo inteiro, Diva e Barbosa Lemos querendo dinheiro, empreiteiro cobrando dívida na minha porta toda a hora. Não vejo a hora de terminar essa merda e ir morar na Europa.

A: Aí, relaxa, cara. Ainda tem mais 3 anos pela frente. Se você ficar assim, vai acabar adoecendo.

R: Relaxar como? Aquele maluco do Garotinho fazendo denúncia a toda a hora. Parece que o cara não trabalha, fica vigiando o governo. O cara parece polícia. Meteu todo mundo do Cabral na cadeia. Vai querer meter a gente. Eu tô controlando com Zé o pessoal do judiciário, mas já está dando briga entre eles. Uma hora vai dar merda.

A: Acho que o que vai dar merda é esse negócio a passagem social.

R: Vai nada, quem votou em mim anda de carro. Os empresários estão fechados com a gente.

A: Mas tem muita gente reclamando.

R: É a mesma coisa que te falei do cheque cidadão, não dá voto. Se desse, o candidato deles tinha vencido. Dói na hora, depois o povo esquece.

A: Cara, acho que você deveria mudar uns secretários. Vou falar contigo com toda a sinceridade. Tem um pessoal muito fraco na nossa equipe.

R: Cezinha, se eu não for cassado por aquele maluco do Eron, vou fazer o que te falei pra ter uma reserva aí. Também se me tirar, vou sumir. Não aguento mais ver gente me pedindo coisa.


É lamentável, mas é verdade. Os diálogos acima mostram que ao invés de administradores, Campos está na mão de atores que interpretam papéis de mocinhos, quando na realidade são bandidos.