Amanhã finalmente estarei fazendo o retrato falado do agressor que esmagou meus dedos e deu uma violenta paulada no meu joelho dentro do presídio de Benfica, conforme mostram as fotos acima. É absurdo, mas é verdade, somente amanhã.

Hoje soube pelo meu advogado Carlos Azeredo que o perito criminal finalmente entregou o laudo das câmeras. Como o processo está em segredo de justiça registro apenas que perguntado se há indícios de manipulação nos registros sônicos, audíveis, registrados na mídia (fitas encaminhadas pela autoridade) sua resposta foi: “Quesito prejudicado, o mesmo não se aplica a esse volume em áudios, pois os arquivos enviados para a análise pericial não registram arquivos sonoros”. Perguntado se alguma pessoa entra na galeria B e na cela B-4, no período entre 1h30 e 2h30, do dia 24 de novembro do ano passado respondeu: “Impende chamar a atenção para as descontinuidades temporais constatadas nos arquivos da câmera 2 e da câmera 4; que as mesmas podem ter sido produzidas no sistema de CFTV, configurado para gravação por detecção de movimento, somente podendo ser verificado com o equipamento de gravação original, e caso o conteúdo dos arquivos originais não tenham sido subscritos ou apagados permanentemente do mesmo”. Ou seja, pelas cópias enviadas para os peritos não é possível provar nada.

Ocorre que no último dia 6 de outubro protocolei pedido de escolta policial ao governador do estado, conforme podem ver no documento abaixo,



No áudio abaixo, vocês poderão ouvir um agente penitenciário me alertando sobre as ameaças de Sérgio Cabral, e fala das farras de comidas e outras mordomias dentro do presídio, constatadas pelo Ministério Público.

Clique e ouça


Não bastasse isso alguns dias antes da minha covarde prisão falei com minha filha, a deputada Clarissa Garotinho, que o deputado Jorge Picciani em discussão dentro do presídio disse que era preciso “parar o Garotinho”, e que ele iria resolver do seu jeito.

Percebam nos documentos abaixo o encaminhamento da deputada Clarissa ao desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal.



Apesar disso tudo até hoje o governador Pezão mantém o meu pedido de segurança a dois ex-governadores ameaçados de morte parado na Coordenadoria Militar da Casa Civil.

O que será que ele espera? Será que deseja que o bilhete que me foi entregue por um detento em Benfica, antes da agressão se torne realidade? Aliás, republico o bilhete com algumas explicações já que alguns que leram minha postagem da outra vez não conseguiram entender.



Transcrição explicativa

“S Cabral falou com coronel Erir (secretário de Administração Penitenciária) para dar um jeito em você. Sauer (na verdade é Sauler Sakalem, subsecretário adjunto de unidades prisionais) colocou um polícia (sic) armado lá dentro. Irmão cuidado com a comida. Pede aos inspetores para visitar as celas vazias. Não tem ninguém lá faz tempo. Rafael (chefe da segurança) acho que também está de trouxa, chame o MP depressa. Lê e rasga, se descobrir (sic) posso morrer. Esse povo não teme a Deus. Irmão age rápido. Fica com Jesus”.

Imaginem vocês, e não caiam para trás com o que vão ler agora. Apesar de não ter nenhuma prova contra mim, o secretário de Administração Penitenciária afirmou que eu havia me auto lesionado. Prestem atenção no que vocês lerão agora e que faz parte da sindicância aberta pela SEAP.

”Perguntado se deseja prestar mais alguma declaração pertinente a este procedimento, o depoente (Anthony Garotinho) disse que sim; que foi informado pela servidora da SEAP Renata de Souza Lupi que este procedimento foi instaurado no dia 24/11/2017, mas curiosamente na data de hoje, transcorrido quase um mês após a instauração, o depoente foi informado que é o primeiro a ser ouvido na sindicância. Sendo que pela imprensa foi dito pelo secretário (Coronel Erir) que a transferência foi uma punição pelo ocorrido em Benfica, e agora se verifica que nem sequer a sindicância havia sido instruída”.

Pelo que se vê fui punido três vezes. Primeiro com a prisão injusta. Segundo com a agressão. E terceiro com a versão da “auto lesão”, que agora se verifica que não houve sindicância e muito menos comprovação pela perícia técnica.

Só espero não precisar morrer para que meus apelos por proteção contra a quadrilha que denunciei sejam ouvidos pelas autoridades.