Documento juntado ao inquérito dos portos, que investiga Michel Temer, indica que supostos pagamentos indevidos feitos na década de 90 por parte de empresas do setor portuário passaram inicialmente pela Argeplan, empresa do coronel João Batista de Lima Filho, amigo do presidente e também investigado.

O inquérito apura se Temer editou, em troca de propina, um decreto com o objetivo de favorecer empresas do setor portuário, entre as quais a Rodrimar e o grupo Libra.

O documento, segundo a Polícia Federal, é um complemento de outra planilha sobre irregularidades no porto de Santos, que relacionava pagamentos a “MT”, que seria Michel Temer, a “MA”, que seria Marcelo Azeredo, indicado por Temer para comandar a Codesp, e a “L”, que seria o coronel Lima.

Conforme a PF, o documento intitulado “Posição de Negócios” trata do terminal 34/35 com participação do grupo Libra no porto e destaca “contratos exclusivos” da Argeplan.

Para a PF, os dados indicam “que os pagamentos apresentados nas planilhas para MT, MA e Lima teriam como destino inicial a empresa” deste último.

“Além da inscrição ‘todas as participações foram concedidas sem nenhum tipo de investimento por parte da Argeplan, além do cumprimento total das exigências políticas’ que reforça o entendimento que a Argeplan funcionaria como intermediária dos pagamentos, ocorre ainda a ampliação da convicção da participação de agente político no suposto esquema, MT na hipótese em questão”, diz relatório da PF.