Tive uma mini-série censurada no FACEBOOK sob a alegação de campanha eleitoral apenas porque, numas fotos, aparecia EDUARDO PAES sentado na mesma mesa do Rei Artur e outros integrantes da farra dos guardanapos.

Todo mundo sabe que tanto as fotos como os vídeos daquela farra em Paris e na sequência em Mônaco foram divulgados para o Brasil por mim.

Agora vejo que preparam o lançamento de um livro com o mesmo nome da mini-série e as fotos cujos originais foram obtivos por mim.

Nada contra, apenas não entendo como uma reportagem jornalística pode ser censurada sob pretexto de campanha eleitoral antecipada se os fatos narrados são todos reais e os personagens também.

Não conheço o conteúdo do livro mas espero que mostre também o lado mais perverso da farra dos guardanapos: A CORRUPÇÃO QUE ENGOLIU O DINHEIRO PÚBLICO E COLOCOU O ESTADO NUMA CRISE SEM PRECEDENTES.

Leia abaixo artigo do colunista Ascânio Seleme, publicado hoje no Globo:

"A farra dos guardanapos vista por dentro

Bastidores da noite em que a ruína de Sérgio Cabral começou são contados em livro
Livro revela bastidores da farra dos guardanapos. Estão enganados os que acham que já viram tudo no ataque praticado pelo ex-governador Sérgio Cabral e sua turma aos cofres públicos e às boas práticas políticas e comportamentais. Vem aí um livro que conta com uma riqueza impressionante de detalhes o primeiro e decisivo capítulo da destruição de Cabral, a festa parisiense conhecida como a farra dos guardanapos. Todos os bastidores da esbórnia de Cabral, seus secretários, amigos empresários e suas mulheres estão ali relatados.

Há inúmeras passagens exóticas que nunca foram contadas. O livro escrito pelo jornalista Sílvio Barsetti passa por tudo, conta desde o volume etílico consumido na bagunça até uma cena de ciúmes de Adriana Ancelmo, mulher de Cabral, que quase estraga a festa. O autor entrevistou dezenas dos convidados para reproduzir o capítulo mais constrangedor da trajetória do governador que agora cumpre mais de cem anos de cadeia por desvios financeiros e éticos durante seu mandato.

Patrocinada pela Peugeot, a festa ocorreu no Hotel La Paiva, um palácio destinado a recepções de luxo na Avenida ChampsÉlysées e que pertencera à marquesa Theresa Lachmann, uma conhecida cortesã parisiense do século 19. O banquete foi servido por maîtres e 25 garçons, um para cada cinco convidados. Ao final, 300 garrafas da champagne Dom Pérignon e do vinho português Barca Velha teriam sido consumidas. Além de uísques e cognacs.

Cabral e Adriana chegaram a Paris dois dias antes e se hospedaram no Hotel Le Bristol. O luxo do hotel impressionou os pais de Cabral, também presentes. Sérgio Cabral pai disse à mulher Magaly: “Essa realidade não nos pertence. Daqui a pouco vão pegar a gente no colo”. Não tinha visto nada ainda. Luxo mesmo ele conheceria na noite da festa. Mas, além do luxo, os modos da turma é que deixariam estarrecidos até mesmos os serviçais do Palácio.

Além dos guardanapos nas cabeças de um quinteto para lá de embriagado, houve momentos de descontração de tal ordem que um dos convidados passou parte da festa com dois copos nas mãos, um de vinho e outro de champagne. Em outro, dois deles subiram em uma mesa para dançar. Foram convidados a descer por um maître. Ao ver a cena, o patrocinador Thierry Peugeot disse que a cortesã dona da casa “marquesa Lachmann estaria radiante aqui”.

A cena de ciúmes se deu quando uma sensual cantora francesa contratada para animar os convivas se insinuou a Sérgio Cabral. Adriana afastou a moça dizendo com fúria e em bom e sólido português: “Aqui não, pode sair de perto”.

Outro barraco foi de Cabral, que brigou com sua assessoria que pediu para uma convidada parar de fotografar a festa. Ela se queixou, e o governador deu uma bronca num assessor. “Que merda é essa? Você está maluco? Ela é minha convidada e pode fotografar, sim”. Cabral descobriu mais tarde que foi esta mulher, cujo nome o livro não revela, quem passou para Anthony Garotinho as fotos da noitada.

O livro “A farra dos guardanapos — O último baile da Era Cabral — A história que nunca foi contada” é o primeiro fruto da parceria dos jornalistas Bruno Thys e Luiz André Alzer, idealizadores e fundadores da editora Máquina de Livros. A editora já tem outros três projetos em andamento. Todas as suas obras serão de não ficção. “A farra dos guardanapos” tem 176 páginas, vai custar R$ 39,90 e estará disponível nas livrarias a partir de agosto."