Essa história da construção do prédio da ELETROBRÁS, no centro do Rio, no corredor cultural da Lapa, tem uma mistura de ingredientes muito estranha, que mostra como Sérgio Cabral e Eduardo Paes tratam o patrimônio público e a sua vocação para negócios imobiliários nebulosos.

Vamos direto ao assunto, que rendeu as manchetes acima, ontem e hoje, em O GLOBO:

O Plano Diretor da cidade do Rio de Janeiro estabelece que qualquer alteração, sobre o crescimento da cidade e mudanças de gabarito deve ser precedida de audiência pública. Descumprindo a legislação, o prefeito Eduardo Paes altera o gabarito da área da Lapa, de 6 para 44 andares. Por que isso?

Simplesmente para atender um pedido do governador Sérgio Cabral. A questão é que o terreno, onde a ELETROBRÁS vai construir o espigão de 44 andares pertence ao Estado. A estatal manifestou interesse em comprar o terreno, desde que conseguisse a alteração do gabarito. Cabral, de olho no negócio, convenceu Paes que fez a sua parte.

Só que Paes incluiu no projeto, uma contrapartida financeira de R$ 30 milhões, a título de financiar investimentos da prefeitura na região. Cabral não gostou e tentou convencer Paes a desistir da compensação financeira, que acabou aprovada pelos vereadores.

Agora, conforme podem ler abaixo, na nota do jornalista Fernando Molica descobre-se a razão da insatisfação de Cabral, que tem o desplante de afirmar, que a cobrança dos R$ 30 milhões inviabilizaria a obra. Comporta–se nesse caso como se fosse procurador dos interesses da ELETROBRÁS, e não como governador que defende o patrimônio público do Estado.

A nota prossegue elucidando a questão, que deveria ser investigada pelo Ministério Público. Como podem ler, Cabral quer vender o terreno à ELETROBRÁS, mas antes do negócio se concretizar já houve uma triangulação muito esquisita envolvendo o clube Vasco da Gama. O patrocínio da ELETROBRÁS para o Vasco faz parte da negociação pela compra do terreno. Bem, nesse caso, Cabral quer vender o terreno de qualquer maneira e provavelmente o valor do patrocínio ao Vasco será descontado no preço final do imóvel. Isso precisa ser esclarecido.





Tudo bem que o governador é vascaíno, mas isso é um privilégio que contraria a legislação. O governador abre mão de receita para beneficiar o seu clube, em detrimento dos interesses públicos.

E como no ditado “a emenda saiu pior que soneto”, o prefeito Paes na maior cara-de-pau justifica o negócio dizendo que o espigão vai revitalizar o centro. A quem quer enganar? A Lapa foi revitalizada há vários anos, tanto assim que hoje, a prefeitura quer dar até choque de ordem na região. Por isso, inventa outra desculpa Eduardo Paes.

Em tempo: Amanhã, trarei o segundo capítulo de “Os negócios imobiliários de Cabral e Paes”.

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