Reprodução do jornal O Dia
Reprodução do jornal O Dia


Olha confesso a vocês que ao ver essa notícia nos jornais, eu e Rosinha ficamos com lágrimas nos olhos e nos abraçamos. Como pais e avós foi inevitável pensar logo nos nossos filhos e netos. Acho que com a maioria de vocês não deve ter sido diferente. Essa tragédia poderia ter acontecido com alguém próximo de qualquer um de nós. Estou escrevendo estas palavras não como político ou homem público, mas conforme expressei no início como pai e avô.

Até quando teremos que conviver com tanta insanidade e violência? Não dá para imaginar a dor da família da pequena Geovana, de um ano, atingida por uma bala no peito durante tentativa de assalto em Belford Roxo.

Não sou demagogo. Foi um crime bárbaro praticado por 4 assaltantes que poderia ter acontecido no meu governo ou no de Rosinha, ou em São Paulo. Não cabe aqui questionar política de segurança ou falar de farsa de pacificação.

Me perdoem aqueles que defendem a liberação das drogas e os que não acordaram para o flagelo do crack. É claro que nem todos os usuários de drogas praticam atos bárbaros como esse ou saem por aí de arma na mão assaltando. Tenho consciência - embora não concorde com a prática - que muitos dos que consomem apenas um cigarro de maconha podem não causar danos à sociedade, além dos que provocam a si mesmos. Mas não podemos ser hipócritas e fugir da verdade.

A droga vicia. Nem todo mundo é igual. Há pessoas que têm tendência compulsiva, e isso se manifesta de várias maneiras, pode ser até com a comida ou com o tabaco. Infelizmente alguns que começam com apenas "um baseado" por diversão passam para outras drogas e se afundam. E no final perdem a noção da realidade, dos limites, se deixam dominar pela insanidade, são capazes dos piores atos.

Esse caso da Geovana me lembrou outro igualmente trágico e bárbaro que chocou o Brasil, o assassinato do menino João Hélio, de 6 anos, que em 2007 durante um assalto em Oswaldo Cruz (Zona Norte do Rio) ficou preso ao cinto de segurança e foi arrastado por quilômetros. Aqueles quatro bandidos, me parece que dois eram menores, estavam drogados, como provavelmente quem matou Geovana.

Gostaria que aqueles que defendem a liberação das drogas fizessem uma reflexão em cima do meu desabafo.

E me lembrei de mais duas comparações que acho pertinentes. Vou me estender mais um pouco.

Nos Estados Unidos volta e meia acontecem tragédias de massacres em escolas e universidades. É mais do que sabido que a facilidade de comprar armas inclusive fuzis, até pelo correio, é uma das causas dessas barbáries, tanto assim que o presidente Obama decidiu restringir o comércio de armamento. Claro que mais de 99% dos que compram armas nos Estados Unidos não saem por aí atirando nos colegas de escola e nos professores. Mas existem psicopatas, pessoas com sérios problemas de personalidade, às vezes causados pelo consumo contínuo de drogas.

Vejam o caso da Lei Seca. Tenho amigos que conheço há muitos anos e que bebem sua cervejinha socialmente que garantem que se tomarem uma garrafa (600 ml) não sofrem alteração dos sentidos porque estão acostumados. Pode ser verdade para uns, mas outros com apenas um copo já ficam alterados. Cada pessoa reage de uma maneira e tem o seu nível de resistência.

Muitas pessoas, entre elas figuras públicas, acham que é moderno e avançado liberar as drogas. Os que são contrários como eu são patrulhados e chamados de retrógrados, conservadores e coisas piores. O que os arautos da liberação não percebem ou não lhes convém ver é que uma sociedade permissiva e condescendente com as drogas está criando monstros que um dia vão provocar tragédias e matar inocentes como aconteceu com a pequena Geovana, de um aninho.

Era isso que estava dentro do meu peito e eu precisava externar. Espero que a polícia consiga colocar a mão nesses facínoras. E que Deus possa confortar o coração dos pais, da família de Geovana. Meus sinceros sentimentos.

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