Quem acompanha minhas publicações em redes sociais sabe que venho dizendo há muito tempo que o ramo de combustíveis é um dos preferidos para lavagem de dinheiro de origem ilícita, seja pelo PCC, Comando Vermelho ou outras organizações criminosas. A operação de hoje, “Carbono Oculto”, deflagrada pela Receita Federal com o apoio da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo e outros estados, além da Agência Nacional do Petróleo, Secretaria de Fazenda e Procuradoria Geral do Estado de São Paulo é apenas o começo de punição merecida para aqueles que, com a capa de empresários, se aliavam a grupos políticos para proteger criminosos.
Lembram que, no mês passado, publiquei o vídeo do governador do Rio e do Secretário de Fazenda do Estado em um jantar em Nova Iorque, conversando com Ricardo Magro, o maior sonegador de impostos do Rio e um dos principais alvos da operação de hoje? Ele é dono de uma refinaria - Manguinhos - que não funciona há mais de 15 anos e, no entanto, é um grande fornecedor de combustíveis. Inclusive, mostramos a sua bela casa em Miami, avaliada em U$36 milhões, onde ele vive. O Rio de Janeiro é só o lugar onde ele comete crimes.
A operação de hoje é tão extensa que envolve, aproximadamente, 1500 veículos sequestrados judicialmente, bloqueio total de 21 fundos de instituições financeiras conhecidas e “respeitadas”, sequestro de 192 imóveis e duas embarcações, mais de 1000 postos de gasolina e, pasmem os senhores, só um braço que envolvia distribuidoras, holdings, empresas de cobrança autorizadas pelo Banco Central, movimentou R$23bilhões. Participaram 1400 agentes da Polícia Federal e estão envolvidas até agora 350 pessoas físicas e jurídicas. Os fundos de investimento imobiliário e os fundos multimercado envolvidos com o crime tem de patrimônio R$30bilhões.
A COPAPE e a ASTER pertencem a Mohamad Hussein Mourad e Renato Camargo. O BK Bank, que é uma fintech brasileira, oferece soluções digitais para pessoas físicas e jurídicas. Atualmente, disponibiliza máquinas de cartão e movimenta recursos por meio de contas-bolsão. A Reag é considerada uma das maiores gestoras independentes do Brasil. Administra um fundo com R$299bilhões, está listada na B3, seu portfólio tem de tudo: fundos imobiliários, multimercados, renda fixa e outros.
A Receita Federal identificou 40 fundos, todos sob o controle desses grupos de lavagem de dinheiro. Entre os bens adquiridos pelos fundos com o dinheiro do PCC estão um terminal portuário, 4 usinas de álcool, 1600 caminhões para transporte de combustível, 6 fazendas no interior de São Paulo, mais de 100 imóveis e uma casa em Trancoso, na Bahia, avaliada em R$13milhões.
Um dos principais alvos da operação de hoje, Ricardo Magro, vive numa casa em Miami avaliada em U$36milhões. Embora no Rio ele seja chamado de "dono do Estado" por ter escolhido o Secretário de Fazenda e outras autoridades, sua dívida atualizada até o mês de abril com a REFIT é a seguinte:
RJ - R$11.895.182.645,91
SP - R$8.334.284.508,79
PR - R$1.841.803.968,47
MG - R$158.294.659,60
GO - R$3.201.497,00
SC - R$3.549.407,53
BA - R$437.224,01
UNIÃO - R$2.327.978.499,34
Total de mais de R$25bilhões até o mês de abril.
Em 2016, Ricardo Magro foi preso a Operação Recomeço, que investigava desvios de recursos dos fundos de penão Petros - da Petrobrás - e Postalis - dos Correios, por meio da compra de debentures do grupo Galileo, no qual era sócio.
Foragido e incluído na lista da Interpol, Ricardo Magro se entregou à Polícia Federal no Rio.
Em 2024, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra Magro por liderar um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que utilizou 188 empresas para cometer crimes fiscais e ocultar patrimônio.
Seu regime de tributação especial no Rio foi concedido por Benedita da Silva no curto período em que governou o Estado. Em retribuição, ele nomeou diretor de sua empresa no Rio Marcelo Sereno, homem de confiança de José Dirceu.
Na operação de hoje, "Carbono Oculto", das 18 distribuidoras de combustíveis investigadas, várias eram ligadas a ele, segundo a Secretaria de Fazenda de São Paulo. São elas: Port Brazil, Everest, Império e Orizona. Essas empresas estão sob o controle do grupo REFIT, cujo dono é Ricardo Magro.
A pergunta que não quer calar, já que nenhum jornal publicou até agora: Afinal, Ricardo Magro foi preso ou não?